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Alagoas uma má noticia


                

Apresentação
 

Pesquisei muito antes de lançar a primeira edição de A História de Alagoas - dos Caetés aos Marajás em 1999, com um mil exemplares, todos vendidos num sistema não convencional, sem coquetel de lançamento, mas pessoalmente, indo a colégios, faculdades, entidades diversas e fazendo palestras, abrindo o debate, autografando e vendendo o livro. No ano seguinte, a segunda edição com novos capítulos e 2 mil exemplares. Um curso pré-vestibular onde lecionava exatamente História de Alagoas, bancou mais uma edição com o mesmo texto, mas capa diferente para seus 1.200 alunos reunidos numa promoção denominada Bar Fera, com aula-debate e músicas alagoanas nos intervalos. No total, 4.200 em dois anos, todos vendidos.

Escolhi esse título lembrando o episódio do massacre que os índios Caetés fizeram com os tripulantes do navio Nossa Senhora da Ajuda, que naufragou no Litoral Sul. Os tripulantes conseguiram chegar em terra, caminharam um pouco e onde hoje é a Barra de São Miguel se depararam com os nativos, que nunca tinham visto um branco, com tanta roupa. Imaginem como o bispo Dom Péro Fernandes Sardinha estava vestido! Não contaram conversa, mataram, assaram a carne e comeram como se fosse um churrasco de boi.   

Marajás, são os milionários da Índia, que aqui receberam esse título do então candidato ao governo do Estado, Fernando Collor de Mello, em 1986, numa alusão aos servidores públicos que recebiam altos salários e pouco produziam. Ganhou as eleições com essa bandeira de luta, reduziu salários, mas logo depois esses privilegiados ingressaram na Justiça e conseguiram recuperar seus contra-cheques, com valores astronômicos, exatamente num Estado de maior índice de analfabetismo, mortalidade infantil e pior Índice de Desenvolvimento Humano - IDH. A Lei de Responsabilidade Fiscal,criada na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso se encontra no limite máximo. Mas privilegia os marajás, que abocanham a maior parte do "bolo". Uma vergonha nacional, mas não tão diferente dos demais Estados e da União também, onde existem marajás em todos os Poderes constituídos.  

Assim como as edições anteriores, é um livro-reportagem, baseado numa série de suplementos que produzi na década de 1990, em O JORNAL. Sâo textos  jornalísticos, curtos, mas explicativos, sem os enfadonhos de antigamente. Faço um relato de tudo que aconteceu, comparando com o atual. Das tribos indígenas da época do descobrimento ao descaso que o governo trata os seus descendentes de hoje; as senzalas,com os escravos e as favelas e os bóias frias; o Quilombo dos Palmares e a discriminação existente ainda hoje; as guerras e guerrilhas; as oligarquias da primeira República; a ditadura de Vargas e os interventores; o populismo de Muniz Falcão e seu impeachement; a ditadura militar e as eleições indiretas para governador. E mais: os crimes que abalaram Alagoas, a maioria impunes e denominados "crimes de mando".A corrupção desenfreada, que finalmente vem sendo descoberta com a aliança feita entre o governo do Estado, Ministério Público e a Polícia Federal.  

Indiscutivelmente Alagoas é um pedaço do Brasil (o segundo menor Estado em superfície, depois de Sergipe), abençoado por Deus. São 280 quilômetros de um Litoral belíssimo com o mar azul e verde, areia branca, coqueirais, água morna; lagoas com a mistura de água salgada do mar e doce dos rios; o rio São Francisco e sua foz; resquícios da Mata Atlântica; uma zona da Mata, Agreste e Sertão com terras agricultáveis; a nossa maior riqueza: a cana de açúcar e a maior jazida de sal-gema da América Latina. Quer mais: descobriu-se vários minérios no Sertão e Agreste; existe abundância de gás natural e petróleo e um parque industrial em expansão, principalmente o que aproveita o sal-gema como matéria-prima. E  a "indústria sem chaminé" que é o turismo, outro setor de grande significado para a economia alagoana.  

São mais de 3 milhões de habitantes nessa segunda década do século XXI, que vivem nos 102 municípios, distribuidos entre as zonas do Sertão, Baixo  São Francisco, Agreste, Tabuleiros de São Miguel dos Campos, Mata e Litoral Norte e Sul. existem municípios que sobrevivem apenas com o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Mas os políticos querem mais municípios, obviamente para usufruir do dinheiro público vindo de Brasília, sempre desviado para o bolso de cada um, deixando crianças sem merenda escolar, postos de saúde e hospitais sem medicamentos e médicos e escolas sucateadas.  

Esperei dez anos para tentar mudar o título, eliminando "os marajás". O Executivo sempre tenta, mas tanto o Legislativo como o Judiciário, não aceitam. Como tudo depende da Lei, eles contininuam existindo, tendo passado pela fase "socialista" e entrado na  " tucana".  E vão continuar, exatamente porque são amparados por leis imorais que garantem salários altíssimos, enquanto a imensa maioria ganha o mínimo ou a tal Bolsa Família, que é destinada as mães comprovamente pobres, para que mantem os filhos na escola. Em janeiro de 2015, o Ministério Público denunciou na Imprensa, a existência de verdadeiros marajás na Assembléia Legislativa, ganhando acima do teto máximo do serviço público, que é dos ministros do Supremo Tribunal Federal, em torno de R$ 35 mil mensais. Exatamente no Poder Legislativode tantos escândalos, desde a "Operação Taturana" com desvios milionários, passando por salários altíssimos de cargos comissionados, não pagamento de Imposto de Renda, empréstimos consignados e outras verdadeiras "maracutais", manchando o nome do Palácio Tavares Bastos, um alagoano que dignificou o poder legislativo na época da Província no século XIX.  

De lá para cá, foram tantas más notícias! O Brasil inteiro acompanhando os escândalos financeiros, envolvendo dinheiro público desviados de verbas federais, como da merenda escolar, de obras inacabadas e ainda dos duodécimos do Legislativo e Judiciário. E mais: os crimes de mando e a impunidade total. Um relatório divulgado em junho de 2011, aponta Alagoas como Estado campeão em corrupção com o dinheiro público.Só na ampliação do Porto de Maceió foram desviados R$ 10 milhões, comprovadamente. Escândalo divulgado pela revista Veja e mais: A revista inglesa The Economist aponta Alagoas como o Estado mais violento  do Brasil, uma praga que virou notícia internacional. Em julho de 2011, mais títulos de campeão nacional: Alagoas é o Estado de maior índice de evasão escolar e ainda de crimes homofóbicos. Nos ans seguintes, atédezembro de 2014, os índices sociais deram uma melhorada, mas não necessiamente para deixar o título de campeão. Diante de tudo isso, decidi mudar o título para:  Alagoas - Uma má notícia.  

A presidente Dilma Rousseff, escolheu exatamente Alagoas, em julho de 2011 para lançar seus programas: Brasil Sem Miséria, Água para todos, e liberou muito dinheiro para o Estado nas áreas de educação,saúde e segurança pública. O governador Teotônio Vilela Filho, opositor a dois governos, Lula e Dilma, mostra um comportamento totalmente diferente de seus antecessores. E mesmo no PSDB, consegue o reconhecimento de presidentes. Lula gostava dele. E Dilma? É de bom alvitre a entrevista da presidente ao jornalista Jorge Bastos, a Rádio Globo. Ela afirmou: "E o Teotônio, o que é aquilo? É difícil não atender". E disse mais: "É manhoso e muito simpático". Na verdade, o governador demostrava a todo instante não se dispor com os contrários, tendo a grande chance de transformar Alagoas num Estado modelo do Brasil. O seu pai, o saudoso senador Teotônio Vilela, lutou pela anistia e conseguiu que o presidente João Figueiredo aprovasse. 

Nas eleições de 2014, o governador ficou "em cima do muro" entre os dois principais candidatos: Renan Calheiros Filho e Benedito de Lira. O seu partido PSDB, lançou um candidato apolítico: Eduardo Tavares, do Ministério Público,que renunciou a candidatura, dando lugar a um vereador de Palmeira dos Índios, Júlio César. Ganhou Renan Filho, que recebeu o Estado com índices sociais baixos, mas a economia bastante diversificada, crescendo através do setor cloroquímico, além do comércio, turismo e prestação de serviços. O setor sucroalcooleiro em crise, como vem ocorrendo em todo o País, mas ganhou a primeira indústria de etanol tendo, como matéria prima, o bagaço da cana. Renan Filho tem toda a chance de virar a página de Alagoas, trazendo o pleno desenvolvimento sócio-econônico. Afinal apoiou a reeleição da presidente e tem o pai como presidente do Congresso Nacional da República. Assim como os demais governantes de Alagoas, recebeu o Estado com dívida acumulada aos longo dos anos, que ultrapassa os R$ 300 milhões. Tem que cortar gastos, acabar com a corrupção e negociar a dívida pública.   

Os gastos milionários, que chegaram a R$ 45 milhões do Programa Brasil Mais Seguro, não foram suficientes para reduzir os índices de violência em Alagoas; Maceió continua em 2015, liderando o ranking de homicídios no Brasil, segundo constatação da Fundação City Mayors, que, pela tereira vez consecutiva constatou o registro de 80 homicídios para cada 100 mil habitantes, seguida de Fortaleza, João pessoa, Natal, Salvador, Vitória, São Luiz, Belém, Campina Grande e Goiânia. Recie, Aracaju e Terezina não constam dessa lista. Comparando com as dez cidades mais violentas do mundo, Maceió fica em quinto lugar. D Brasil, constam ainda Fortaleza, em sétimo lugar e João pessoa, em novo. As demais (todas da América Latina), são: San Pedro Sula (Honduras), Caracas (Venelzuela), Cali (Colômbia, Acapulco (México) Guatemala (Guatemala), Capital District (Honduras) e Barquisimeto (Venezuela).  

Renan Filho, fez o que seus antecessores não conseguiram: acabou com a "farra" dos policiais militares que serviam aos três Poderes Executivo,Legislativo e Judiciário. Um reforço de mais de 400 militares para o policiamento nas ruas. Nomeou um brilhante e ético magistrado para a Secretaria de Defesa Social, que conhece profundamente a questão da violência em Alagoas, campeão nacional em homicídios. Na Fazenda, o escolhido foi um experiente financista carioca, enquanto a saúde ficou com uma médica que comandava a Reitoria da Universidade Estadual de Ciências da Saúde  e a educação com o vice governador eleito Luciano Barbosa, que revolucionou o setor quando prefeito de Arapiraca, implantando o sistema de educação integral (dois turnos). Esses são os três setores básicos para que se resolva o crônico problema que o Estado enfrente como vice campeão em violência (em janeiro de 2015, um relatório divulgado na Imprensa, tirou o título de Maceió como ciade mais violenta do Brasil, colocando João Pessoa. 

Para não acobertar a corrupção no Poder Legislativo, o governador vetou o Projeto de Lei aprovado pelos deputados no final de 2014, retirando a décima sétima Vara Criminal que tem o poder de julgar crimes contra a administração público. No dia 21 de janeiro de 2015, outra má notícia estampada na primeira página do jornal Gazeta de Alagoas: Exportações alagoanas despencam em 2014; O resultado das exportações alagoanas de 2014, foi o pior desde 2005, É o que apontam os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que registrou um déficit de 15,2% em relação a 2013. As exportações de 2014 registraram US$ 629,4 milhõees contra US$ 742,2 milhões do ano anterior. E a tendência para 2015 ainda é pior, já que as usinas encerram a safra em março, com queda na produção,em função do fechamento de algumas usinas e o baixo preço do açúcar no mercado internacional.   

Maceió, janeiro de 2015. 

 

JAIR PIMENTEL
Jornalista e Escritor

Um novo cenário 

Quando o ex-governador Teotônio Brandão Vilela Filho, assumiu há oito anos, recebeu um Estado falido com uma dívida astronômica, e os servidores públicos insatisfeitos. Enfrentou greves duradouras, nos setores de educação, saúde e segurança pública, essenciais para o funcionamento do Estado. Tinha que cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que seus antecessores nunca cumpriram e faliram o Estado, fechando o Produban, empresas públicas essenciais, mas criando novas secretarias, contratando pessoal e dando aumentos salariais. O governador Ronaldo Lessa já havia encontrado o Estado no fundo do poço e continuou, mas sempre prometendo melhorias, sonhando com fábricas de veículos, aviões, novos distritos industriais e o Pólo Cloroquímico com muitas indústrias. Nada disso aconteceu. 

A credibilidade fiscal, política e o respeito conquistados nestes últimos anos, mudaram a conjuntura alagoana. Novas empresas se instalaram no Estado. O turismo recebeu mais investimentos. A agricultura bateu recordes de produtividade e a segurança pública se modernizou e se equipou para enfrentar a criminalidade em geral e o tráfico de drogas em particular. Nesse período, mais de 100  empreendimentos se instalaram em Alagoas, investindo R$ 4 bilhões e gerando mais de 30 mil empregos diretos. Foram 42 indústrias, 20 empresas comerciais de grande porte e 30 novos hotéis.  E mais: O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) aponta um investimento de R$ 6 bilhões, entre obras locais e federais, como a  ampliação do Porto de Jaraguá, revitalização do Vale do Reginaldo, da orla lagunar e o Canal do Sertão.  

Como resultado da credibilidade conquistada com o ajuste das contas públicas e a revitalização do Distrito Multifabril Industrial José Aprígio Vilela (antigo Pólo Cloroquímico) e o Distrito Industrial Luiz Cavalcante, o governo do Estado comemora a presença de grandes marcas que escolheram Alagoas para investir, como: Bauducco, Coca-Cola, Noresplant, BB Nordeste. Jaraguá Equipamentos, Tupan, Wal Mart, Shopping Pátio Maceió, Alaplásticos, Coor Plastik. Sherwin Wiilian, Krona e muitas outras. Ainda em 2015, deve iniciar sua operação a maior indúsria de cerâmica do País: a Portobelo, no Distrito Industrial José Aprígio Vilela.  

Os índices sociais e econômicos estão melhorando. Caiu a mortalidade infantil em 30%, com programas contra a desnutrição e o analfabetismo com o Projeto Saber, melhorando consideravelmente a educação, através de novas ações, reestruturando as escolas e ampliando o programa de merenda escolar. Na área de saúde, o antigo e desestruturado Hospital de Pronto Socorro, foi ampliado e passou a se chamar Hospital Geral do Estado, com novos leitos. Mas ainda carece de novos hospitais. Assim o de Santana do Ipanema foi finalmente inaugurado para atender a demanda do Sertão e um novo será construído no Tabuleiro do Martins, em Maceió.Também foram inauguradas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que são hospitais de pronto socorro, com recursos da União, Estado e município. 

Na área de educação, para tirar Alagoas da crônica posição de Estado campeão em analfabetismo, o governador decretou em setembro de 2011 "situação de emergência" para recuperar mais de 300 escolas estaduais até 2013. Também vem investiu na Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), além de conseguir a construção de novas unidades do Instituto Federal de Alagoas (IFAL). Através do governo federal, conseguiu a interiorização da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), com campus em Arapiraca, Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema, Palmeira dos Indios, Penedo e Viçosa. Avançou sim, mas não o suficiente para tirar Alagoas da vergohosaposição de Estado campeão em analfabetismo no Brasil.Isso significa que os demais avançaram muito mais.  

São mais de 400 mil familias alagoanas que recebem o Bolsa Familia, programa do governo federal que garante a cada mês um salário perante a comprovação de que os filhos estão na escola, recebendo a merenda escolar, estudando e praticando esportes. Esse dinheiro movimenta a economia e garante a milhares de pessoas a sair da linha de pobreza absoluta. As crianças que ainda não estão na idade escolar, recebem toda a assistência do governo contra a desnutrição, com ênfase para o leite materno. Só desse grupo de alagoanos, circulam cerca de 40 milhões de reais no Estado.  

Na infra-estrutura, o governador construiu novas rodovias e recuperou outras.. A duplicação da AL 101-Sul, ligando Maceió a Barra de São Miguel, também duplicação da BR-101 ligando todo o Estado, entre Pernambuco e Sergipe, já iniciada com rescursos do PAC; saneamento básico da capital e ainda a construção de 25 mil novas moradias, retirando das favelas, milhares de familias. O progama Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, avança em Alagoas. A agricultura familiar vem sendo fortalecida, acabando aos poucos com a total dependência que os consumidores tinham por produtos de outros Estados. E o turismo cresce com a chegada de novos hotéis. Em 2014, mais de 1 milhão e 500 mil turistas visitaram Alagoas. O setor é um dos mais cresce em Alagoas, olocando o Estado como um dos preferidos pelos turistas brsileiros e estrangeiros.  

Na segurança pública, foi nomeado um delegado da Polícia Federal para a Secretaria de Defesa Social e um concursado da Polícia Civil e não-alagoano, para comandar essa tão importante área. Os dois (não alagoanos) trabalharam livremente, sem qualquer ingerência política e com toda "carta branca" do chefe maior: o governador. Assim, prenderam magistrados,  deputados, prefeitos, vereadores e outros figurões, que jamais tinham parado atrás das grades, diante do poder político e econômico que sempre detinham e eram amparados pelo governo. A secretaria vem se estruturando com novas viaturas tanto para a Polícia Civil como a Militar e o Corpo de Bombeiros. Novas armas e equipamentos de segurança, reforma de presídios e delegacias e trabalhando ainda em conjunto com a Polícia Federal e a Guarda Nacional. Nomeou 1 mil soldados da Polícia Militar, que foram aprovados em concurso ppublico. Mas a violência vem aumentando a cada dia e banalizou-se. Somente em 2011, foram quase 2 mil assassinantos, na imensa maioria por envolvimento com drogas e as vítimas geralmente adolescentes e jovens até os 25 anos. Um problema nacional. O delegado da Polícia Federal saiu e entrou um coronel da Polícia Militar, assim como o delegado da Polícia Civil que pediu demissão para assumir um cargo bem mais remunerado, através de concurso público em Minas Gerais, assumindo um alagoano de poucos mais de 30 anos, integrante dos quadros e concursado.  

 Um outro dado negativo foi divulgado em novembro de 2011: Alagoas é o Estado brasileiro com o maior índice de homicídios. Um problema crônico, que por mais que tente, não consegue resolver. Mas não é só o nosso Estado, segue-se no ranking dos mais violentos: Bahia, Sergipe, Pernambuco e Paraiba, exatamente onde nas décadas de 1920/30 "reinava" Lampião e seu bando de cangaceiros, além da violência de alguns coronéis que tinham seus jagunços. Hoje, os criminosos matam mais em função do tráfico de drogas,embora ainda permaneça bem evidente o chamado crime de mando, onde os poderosos pagam assassinos de aluguel para matar seus inimigos.

Em julho de 2012, o governador Teotônio Vilela Filho conseguiu sensibilizar a presidente da República para iniciar em Alagoas o Plano Nacional de Segurança, que em seus primeiros dias de ação, conseguiu reduzir pela metade o número de homicídios. E aqui chegaram cerca de 400 profissionais dos mais experientes no combate as drogas, peritos criminais, delegados e ainda armamentos, equipamentos de informática de última geração, além da abertura de concurso público para as polícias Militar e Civil. O ministro da Justiça e a secretária Nacional de Seguraça, garantiram que vai valer a pena viver em Alagoas, com total segurança. Ele encerrou os dois mandatos, sem conseguir tirar Alagoas como campeão nacional de violência.  

 O  comércio se expande, com a chegada de novas redes de supermercados, magazines e mais um grande shopping center (Pátio Maceió) que foi inaugurado em novembro de 2009 e  um outro do mesmo grupo, em Arapiraca, em 2013. Mais um, bem maior do que os dois existentes, o Parque Shopping, foi erguido em Cruz das Almas.. O Carrefour (francês) também investiu em Maceió, com a instalação de uma unidade de atacado. Vários bairros  já possuem seu próprio comércio, mas o do Centro vem se expandindo cada vez mais, depois que foi revitalizado e ainda foi construído um grande shopping popular, para abrigar os camelôs. Magazines famosos como C & A, Americanas e Riachuelo estão instalados na área central, disputando com outras lojas de médio porte e ainda as conhecidas lojas de marcas, que antes só  funcionavam em shoppings. Esse é indiscutivelmente o setor que mais cresce no Estado e emprega milhares de alagoanos. 

O Produto Interno Bruto - PIB (soma de toda produção anual) de Alagoas, vem crescendo. No último resultado divulgado pelo IBGE em 2014, registrou R$ 23.235 bilhões, quase a metade concentrado  em Maceió, que possui 30% da população alagoana. Isso demonstra a concentração de riqueza na capital. No ranking do Brasil, ocupa o décimo lugar, valendo a velha frase pronunciada na década de 1970, quando do chamado "Milagre Brasileiro" pelo então presidente Emílio Médice: "A economia vai bem, mas o povo vai mal", numa alusão ao crescimento do PIB brasileiro que era de 12% ao ano. O agronegócio, aqui representado pela cana de açúcar, é o "carro chefe" do avanço da economia brasileira. Mas o setor amarga um longo período de fracasso,com a falência de usinas de açúcar e destilarias de álcool. Surgem novos setores no agronegócio, como o plantio de eucalipto para a produção de madeira. Vai surgir a primeira indústria de beneficiamento desse produto  

Maceió vem crescendo e adquirindo ares de metrópole com mais de 1 milhão de habitantes, são viadutos, orla marítima urbanizada e ruas pavimentadas. Em dezembro de 2010, ganhou o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) uma espécie de metrô de superfície, que faz o percurso Rio-Largo-Maceió, com vagões climatizados, segurança total e o mais importante: passagem barata e rapidez. O vale do Reginaldo com seu riacho totalmente poluído, também vem mudando, com saneamento, construção de moradias dignas e a meta é o fim da poluição da praia da Avenida, antigo cartão postal. O Centro da cidade (comércio) é hoje um exemplo de organização, urbanização, segurança e conforto para os consumidores. Os monumentos históricos estão sendo restaurados, formando um verdadeiro "corredor cultural", ligando o Centro a Jaraguá.  

No final de 2014, um balanço feito pelo Governo do Estado apresentou um novo cenário para Alagoas em seu campo econômico. A iniciativa privada investiu mais de 500 milhões nos mais variados setores, mesmo diante de um ano em que o mundo rico enfrentou uma de suas maiores crises financeiras, mas que o Brasil atravessou incólume e, Alagoas não fugiu a regra. Foram mais de 30 indústrias que se instalaram nos Distritos Industriais José Aprígio Vilela (ex-Pólo Cloroquímico) e no Luiz Cavalcante,no Tabuleiro do Martins.Maceió ganhou um novo shopping, o Pátio Maceió, gerando centenas de empregos diretos. Dentre os setores em destaque, o governo de Alagoas dedicou atenção especial à Cadeia Produtiva da Química e do Plástico. Várias indústrias já estão funcionando como a Fiabesa, Corr Plantstik, Alaplasticos, Nordesplast, Krona e novas  estão em fase de conclusão para iniciar suas operações nos dois principais distritos industriais do Estado (Multifabril de Marechal Deodoro e Industrial do Tabuleiro do Martins). A Portobelo, maior indústria de cerâmica do Brasil, vem instalando a sua filial em Alagoas, enquanto o Estaleiro São Tomé, já fabrica material para as plataformas de petróleo, instalado no Porto de Jaraguá.  

Na área de saneamento o governador Teotônio Vilela investiu em Maceió - que seria competência do prefeito - fazendo o saneamento básico da parte baixa da cidade, já bastante avançado. No início de setembro de 2011 inaugurou a obra que atinge toda a orla lagunar, o maior presente que os milhares de moradores receberam. A outra parte, com os bairros da orla marítima até Jacarecica, já se encontra em adiantado serviço e logo estará concluída. É o tipo de obra que beneficia primordialmente a população, mas fica no sub-solo, escondida, diferente da pavimentação de ruas e construção de viadutos, que dar votos! 

No inverno de 2010 uma tragédia atingiu os vales dos rios Mundaú e Paraiba, destruindo casas, provocando mortes e prejuízos incalculáveis. O governo federal agiu rapidamente liberando mais de R$ 200 milhões para os municípios atingidos e a solidariedade do povo brasileiro foi mais uma vez comprovada com a doação de alimentos e agasalhos. Quebrangulo, Santana do Mundaú, Branquinha, Murici, União dos Palmares e Rio Largo, foram as mais prejudicadas. Uma tragédia anunciada, já que as cidades não possuem saneamento e tudo é jogado nos rios, que transbordam, e numa tempestade com chuvas fortes, inundam tudo. Morreram mais de 40 pessoas e milhares de desabrigados, que estão recebendo novas casas, mas em locais distante das margens dos rios. Os desabrigados viviam embaixo de lonas, mas receberam suas casas com toda a infra-estrutura capaz de proporcionar-lhes dignidade, conforto e segurança. O governador conseguiu sensibilizar  a presidente Dilma Rousseff para isentar de pagamento os moradores dessas casas que possuem sala, dois quartos,cozinha, área de serviço,tudo com 42 metros quadrados de construção ao custo de R$ 45 mil bancados pela Caixa Econômica Federal, que exigia o pagamento de prestações mensais como qualquer outro imóvel por ela financiado. Deu certo e o próprio governo  se responsabiliza pelo pagamento. Uma boa notícia para mais de 17 mil familias.  

A banalização do crime e da corrupção

Alagoas sempre foi uma má notícia nacional devido ao crime organizado e a corrupção com o dinheiro público. Banalizou-se! Já teve casos de assassinos e políticos que se infiltraram em outros Estados praticando o mesmo crime daqui. Os alagoanos passaram então a servir de "chacota"  país afora. A bandalheira é escancarada e quando a polícia prende, a justiça solta. Existem advogados especializados em habeas corpus (responder o processo em liberdade). 

A má notícia não é só nacional. Já atravessou o Atlântico, chegando a Inglaterra, onde o The Economist, aponta o Estado apontado como o mais violento do Brasil e o The New York Times que em sua edição de 30 de agosto de 2011 mostra o Nordeste crescendo economicamente, enquanto a violência diante do tráfico de drogas, explode na Bahia e Alagoas. Pelas bandas de cá: Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil (on line) e as revistas Veja, Isto É e Época, sempre destacam Alagoas pelo lado negativo: a corrupção e a violência. No início de outubro de 2011, mais uma manchete nacional e internacional: Alagoas é o Estado mais violento do País, com cerca de 63 assassinatos para cada 100 mil habitantes, número comparável a Honduras, o país mais violento do mundo. 

Rouba-se discaradamente o dinheiro da merenda escolar, dos hospitais públicos e postos de saúde, da construção e manutenção das escolas, das estradas, dos duodécimos dos Poderes Legislativo e Judiciário, enfim, tudo que é público se torna privado para os políticos corruptos que já entram nessa atividade com tal objetivo: enriquecer rapidamente, passando por cima de tudo e de todos. Não se envergonham de ser algemados, fazer exame de corpo de delito e passar alguns dias presos, pois o importante para eles, é o dinheiro que roubou do governo e aumentou seu patrimônio. Dignidade para esses verdadeiros bandidos, é "carta fora do baralho". Já criam os filhos nessa direção, preferindo que sigam "essa tradição" ao invés de proporcionar uma boa educação paga e de qualidade.  

Em 2005, a Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público, começaram a atuar em conjunto e prender os famosoas "colarinhos brancos", com a "Operação Gabiru", prefeitos, secretários empresários, que desviam dinheiro de verbas federais para enriquecer ilicitamente e descaradamente. Foram algemados e presos na sede da PF em Maceió, com a Imprensa divulgando aqui e alhures. Dois anos depois, novo escândalo com a "Operação Taturana" envolvendo deputados estaduais, num roubo de mais de R$ 300 milhões. Foram presos, afastados do cargo, mas retornaram e continuaram se reelegendo, amparados pela Lei que garante a imunidade parlamentar.

A ação da Polícia Federal não pára. Prefeitos, secretários municipais,vereadores e servidores graduados, foram presos na Operação Tabanga que comprovou o desvio de verbas federais destinadas a programas sociais nos municípios. Até as primeiras-damas foram envolvidas, utilizando o dinheiro público para compra de roupas de grife famosa, joias e bebidas importadas para suas casas. Foram presos,mas logo libertados por força de habeas-corpus. 

Em outubro de 2011 mais um escândalo envolvendo desvio de dinheiro público. Denominado de Operação Randoleiro (carrapato que ataca os cavalos), a Polícia Federal descobriu um rombo de R$ 100 milhões no Tribunal de Contas do Estado, envolvendo o diretor administrativo-financeiro e o de pessoal, que utilizaram essa dinheirama em empresas de fachada e compras de cavalos de raça. Foram presos e os animais apreendidos. Também constatou-se a presença de servidores que já morreram, na folha de pagamento. Uma vergonha!  

A Imprensa local sempre foi comandada pelos poderosos, impedindo que os jornalistas denunciassem a corrupção no governo, exatamente porque os donos dos jornais dependem da publicidade. Portanto "liberdade de Imprensa, termina no patrão". É aqui e alhures. A chamada "grande Imprensa" é comprometida com o governo, assim como são os jornais locais, exceto o semanário EXTRA, que vem se mantendo há muitos anos até mesmo sendo impresso em Recife, exatamente porque as gráficas locais dependem do dinheiro público. É grande fonte de pauta para jornais e revistas de circulação nacional, desde a sua fundação. Todas as operações desencadeadas pela Polícia Federal: Gabiru, Navalha, Taturana e demais, são denunciadas em primeira mão por esse jornal, corajosamente comandado pelo jornalista Fernando Araújo há mais de uma década.  

Os escândalos "pipocam" a toda hora no seio do Poder, onde constantemente a polícia abre inquéritos, realiza busca e apreensão em casas de poderosos. É também aqui onde as falcatruas são quase uma unanimidade diária. Legislativo, Judiciário e Executivo se irmanam. Qualquer um desses poderes serve para o alagoano corrupto se locupletar com o dinheiro público. A Imprensa divulga alguns dias, mas logo surge outro escândalo e aquele é esquecido. É a fixação na ladroagem, na desenfreada corrupção. As operações desencadeadas pela Polícia Federal desde 2005,  prenderam verdadeiros figurões da política alagoana, que passaram alguns dias atrás das grades, foram demoralizados diante da sociedade, mas nunca devolveram o dinheiro roubado. Só na Assembléia Legislativa, foram desviados R$ 300 milhões, que junto com os demais escândalos, chegam a quase R$ 1 bilhão.   

Mas toda essa corrupção que estamos vivenciando hoje, é uma herança maldita do tempo das Capitanias Hereditárias no início da colonização do Brasil no século XVI. Com a criação do Governo Geral pelo Rei D. João III, criada a chamada "classe dos letratos", formada por desembargadores, juízes, ouvidores, meirinhos, escrivães, cobradores de impostos, vedores, almoxarifes, administradores e burocratas em geral. Esse funcionamento tratou de articular fórmulas legais e informais para se transformar em um grupo autoperpetuador, na medida em que os cargos eram passados de pai para filho, ou então para parentes e amigos próximos, institucionalizando o chamado nepotismo.  

Esses burocratas que atuavam em Salvador, a capital do Brasil Colônia, sede do Governo Geral, recebiam altos salários,mas engordavam seus rendimentos com propinas e desvio de verbas públicas. Inúmeras evidências permitem afirmar que,na Península Ibérica (Portugal e Espanha) a máquina administrativa não era apenas ineficiente, mas corrupta. E essa prática foi transferida para o Brasil, continuando durante todo o período colonial, a Monarquia e a República. São mais de 450 anos de pura corrupção, ladroagem e impunidade.    

 

Conheça a verdadeira História de Alagoas, "nua e crua"
escrita por um jornalista imparcial.

 

Dos Caetés aos Cariris  

Quando o Brasil foi descoberto em 1500, Alagoas era um mundaréu de matas, rios e montanhas, a Mata Atlântica exuberante, índios nús, felizes e usufruindo da pesca e da caça, além da terra. Eram os Caetés ao Sul e os Potiguaras ao Norte. Bronzeados pelo sol causticante do Litoral, cabelos pretos e lisos. Jamais tinham visto um branco. Dançavam, cantavam, dormiam em redes e exibiam seus corpos nús. Tinham o nariz achatado, um requisito da raça, que eles achavam que era toda uma formusura. Eram diferentes dos seus "irmãos" do Sul, que viviam nas  montanhas e no frio. Os Caetés foram quase todos exterminados. Os poucos que sobreviveram se embreharam nas matas longe do Litoral e formaram sub-tribos.  

Assim surgiram a partir do século XVII:  Os Abacatiaras, que viviam nas ilhas do rio São Francisco; Umans, no alto Sertão, as margens do rio Moxotó (seus remanescentes vivem em Pariconha); Aconans, Coropotós e Carijós, no rio São Francisco; Volvés e Pipianos, no extremo ocidental; Caambembes (Viçosa), Cariris Xurucus (Palmeira dos Indios), Cariris Xocós (Porto Real do Colégio), Tingui Botós (Feira Grande), Wassus Cocal (Joaquim Gomes), além de outros que foram aparerecendo aos poucos até atualmente, já descaracterizados, mas em alguns casos reconhecidos pela Fundação Nacional do Indio (Funai), como os que habitam o Sertão alagoano. O nome Palmeira dos Índios é originário obviamente da aldeia dos índios Xucurus, enquanto Porto Real do Colégio, surgiu a partir da fundação de um colégio pelos padres jesuítas, para catequizar oa índios Cariris-Xocós. Essas são as duas tribos que preservam suas tradições, são assistidas timidamente pela Funai e se organizam como podem. As demais praticamente não têem qualquer tipo de assistência. estão localizadas as margens do rio São Francisco, em Pariconha e outros municípios do Sertão.  

Na verdade, os índios alagoanos foram perdendo suas características físicas ao se misturarem com brancos e negros. A língua nativa foi substituida pelo português, que desde a colonização era ensinada pelos jesuítas. A cor da pele foi se modificando, com a mistura através do branco e do negro, respetivamente: caboclo e cafuso. Hoje já existem descendentes de indios, nas mais diferentes áreas de trabalho. Alguns  com curso superior, falando inglês, engravatados, bem remunerados. Mas a maioria vive na miséria,em situação pior do que os chamados "sem terra", que graças ao programa de reforma agrária, conseguem terra para morar, produzir e vender.   

No século XIX, os índios descendentes dos potiguaras da região Norte se revoltaram com os senhores de engenho e iniciaram uma guerrilha denominada "A Cabanada Selvagem". A maioria dos índios, morreu nos combates, mas isso serviu de alerta para que os mandatários do Brasil já um país independente cuidasse dos nosso nativos. Os remanescentes foram se misturando aos negros e virando cafusos, com uma pele bem mais escura. Assim são os Wassus-Cocais, que vivem em Joaquim Gomes, às turras com posseiros que ao longo dos últimos séculos tomam suas terras.  

Alagoas até o século do descobrimento do Brasil pertencia aos indios nativos do Litoral, Mata, Agreste e Sertão, mas foram chegando os portugueses, se tornando senhores de engenho e fazendeiros das familias: Lins, Holanda, Vasconcelos, Barros Pimentel. Soares, Moura Castro, Rocha Dantas .E nos séculos XVII e XVIII aos: Buarque, Gomes de Mello, Botelho, Paes Barreto, Albuquerque, Carneiro da Cunha, Almeida, Marinho Falcão, Fernandes Lima, Accioly, Wanderley, Alarcão Ayala, Moreira Mendonça, Chagas, Silveira, Tenório, Cavalcanti, Toledo, Machado, Peixoto, Fonseca e tantas outras. Hoje pertencem a usineiros e pecuaristas.  

O tempo foi passando e os indios perdendo suas terras para grandes latifundiários, que tinha a Justiça ao seu lado. De vez em quando essa mesma Justiça dava ganho de causa aos indios, mas advogados famosos, conseguiam liminar e essas terras voltavam ao poder dos ricos. Assim ocorreu em Palmeira dos Índios, Porto Real do Colégio, Feira Grande, Joaquim Gomes. etc. Eles vão perdendo a identidade, a crença, a tradição, se urbanizando, estudando e alguns chegam a Universidade. Terrível isso. Vamos ficar iguais aos norte-americanos. Nos Andes da América do Sul, ainda existem os descendentes do Incas e na Amazônia também. Mas no Litoral, nossos índios já seguem os mesmos costumes e tradições dos brancos. Só que discriminados, como são os negros.   

"Comeram o Bispo Sardinha"  

Os historiadores divergem muito sobre o episódio entre os índios Caetés e os naufragos do Navio Nossa Senhora de Ajuda, em 1556. Alguns afirmam que foi em Sergipe, outros em Alagoas e até na Paraiba. O fato aconteceu mesmo aqui no Litoral Sul,culminando numa verdadeira carnificina de uma tribo indígena que vivia às turras com os brancos colonizadores e adotavam a antropofagia: matavam e comiam a carne das vítimas.Um ritual que eles cumpriam seguindo a tradição de seus ancestrais.   

O jornalista e escritor Eduardo Bueno, em seu livro A Coroa, a Cruz e a Espada, foi mais além para comprovar tudo com documentos da época. Visitou as bibliotecas brasileiras e limitou-se mais a da Torre do Tombo, em Lisboa, onde leu todas as cartas do governador da Bahia e do bispo para o rei Dom João III. É a verdade nua e crua de tudo o que realmente aconteceu naquela época. Visitou o local exato onde o bispo foi morto e "comido". Fez um verdadeiro livro-reportagem que desmistifica tudo. O bispo era um arruaceiro, cachaceiro, mulherengo, vigarista, corrupto ao extremo. Excomungava cidadãos de bem, torturava e ainda usava de seu poder para ganhar muito dinheiro às custas de senhores de engenho, comerciantes e desviar o que chegava da Corte para beneficiar a população. Tudo que conseguiu em dinheiro e jóias o mar levou!  

O naufrágio aconteceu realmente após alguns quilômetros da foz do rio São Francisco, onde hoje é a praia do Pontal de Coruripe. Todos conseguiram chegar em terra e seguiram caminhando até a foz do rio São Miguel onde se depararam com os índios Caetés, inimigos mortais dos brancos e que viviam brigando com os portugueses invasores de suas terras.   E eram muitos, armados de arcos e flexas. Os brancos vestidos e cansados da longa caminhada, não tinham nenhum tipo de armas e foram presas fáceis para os indios, que mataram, esquartejaram e fizem um verdadeiro churrasco. O bispo foi o último a ser sacrificado, no alto da colina, onde se descortina hoje a praia do Gunga.   

Os Caetés com tacapes em punho foram se aproximando do bispo, os portugueses trataram de protege-lo, implorando por sua vida. Mas, até em função das vistosas roupas eclesiásticas, Sardinha foi visto como uma inestimável presa de guerra - e evidentemente não foi poupado. Ele portou-se com altivez e resignação no momento em que, ajoelhado, amarrado e despido, aguardava o golpe que lhe partiu o crânio. Sua morte teve, portanto contornos de martírio e, apesar das contundentes críticas ao seu comportamento no Brasil, logo houve quem propusesse a sua beatificação.   

E foram três meses após o massacre para o governador da Bahia saber da má notícia (para ele, foi uma boa notícia, pois odiava o bispo) já que os sobreviventes tiveram que fazer todo o percurso de mais de 700 km a pé, iinclusive tendo que atravessar os rios São Miguel, Coruripe, São Francisco e os de Sergipe De Salvador a carta do governador para o Rei de Portugal, demorou mais para chegar ao Palácio em Lisboa, quando o rei Dom João III  determinou o extermínio dos Caetés.   

O bispo Sardinha, segundo as cartas enviadas pelo governador Duarte da Costa ao Rei de Portugal, era um impostor, bebia, fumava e fazia sexo com mulheres casadas ou solteiras na casa paroquial em farras intermináveis, juntamente com seus padres ajudantes. Quem denunciasse sua devassidão, era excomungado e tido como herege. Visitiva as demais capitanias objetivando dinheiro, nunca para evangelizar. Ele dizia o mesmo do governador e do seu filho. E assim se formou uma verdadeira guerrilha entre o representante da Igreja e o governador geral..Quem perdia eram os moradores de Salvador, uma cidade relegada ao abandono, a sugeira e a devassidão.   

O Monte do Bispo como continua sendo conhecido e, por se localizar a uns 2 quilômetros da orla, ainda não foi vitimado pela especulação imobiliária. Nesse caso, porém, não se trata de preservação ambiental, mas de abandono. Em meio a mangueiras frondosas e árvores nativas, a coroa do morro de fato revela uma clareira desnuda, embora haja indícios óbvios de que a área seja roçada de tempos em tempos. E em frente aquele pequeno círculo de terra nua e batida, ergue-se uma pequena capela quase em ruínas. Com o telhado caído, as paredes pichadas e o interior malcheiroso, repleto de lixo e tiras de papel higiênico, o pequeno templo, erguido em meados do século XIX em memória ao bispo, perece ser a única lembrança a assinalar o triste fim de D. Pero Fernandes Sardinha.   

O livro de Eduardo Bueno resgata a verdadeira história da criação do Governo Geral, descrevendo a construção da cidade de Salvador e a fundação de São Paulo, terminando com a terrível morte do bispo Sardinha. Mergulha assim no cotidiano de uma sociedade marcada pela desiguladade, pelo desrespeito as leis, pelo uso do aparelho do Estado para a obtenção de benefícios pessoais, pelo clientelismo, nepotismo e a corrupção generalizada, mazelas que 450 anos depois continuam minando o Brasil, a sexta economia do mundo, mas em desenvolvimento humano ultrapassando o octagesimo lugar.       

Do engenho a usina   

Quando o alemão Christofh Linzt chegou ao Brasil com seu irmão Cibald, se fixaram na Capitania de Pernambuco, na segunda metade do século XVI. Logo ganharam sesmarias (grandes propriedades). Ambos aportuguesaram o nome para Cristovão Lins e Cibaldo Lins, respectivamente. O primeiro ganhou uma imensa sesmaria que compreendia o Cabo de Santo Agostinho (hoje municipio do Cabo, próximo ao Recife) até o rio Manguaba em Porto Calvo. Casou com a brasileiríssima Adriana de Vasconcelos Hollanda, filha do holandês Arnault de Holanda e da portuguesa Brites de Vasconcelos Holanda e construiu os três primeiros engenhos de Alagoas: Buenos Ayres, Escurial e Maranhão. O irmão Cibaldo ficou em Pernambuco, formando outro tronco de familia. No final da década de 1580, Cristovão Lins fundou a povoação de Porto Calvo.     

Os índios Potiguaras que habitavam a região Norte de Alagoas, foram recrutados para trabalhar no plantio e colheita da cana. Mas não se adaptaram. Só gostavam de caçar, pescar, dançar e seguir seus rituais. Cristovão Lins precisava de mão-de-obra para a produção de cana e açúcar. E logo conseguiu, através do tráfico negreiro. Foram milhares de negros africanos que desembarcavam no Porto do Recife e eram vendidos aos engenhos da Capitania. Construiu as senzalas em cada um de seus engenhos e prosperou muito devido a essa mão de obra escrava.   

Os engenhos cresceram e, na década de 1580, chega de Portugal, Antonio de Barros Pimentel, que constrói o Engenho Morro, casando com Maria de Vasconcelos Holanda, irmã da mulher de Cristovão Lins. Depois novos colonizadores foram chegando para desenvolver outras regiões:  Gabriel Soares, às margens da Lagoa Manguaba; Moura Castro, em São Miguel; Rocha Dantas, em Penedo e Martins Filgueiras, em Santa Luzia do Norte. Forma-se assim a parte Sul da Capitania de Pernambuco: Alagoas, devido a grande quantidade de lagoas existentes próximas ao mar.    

Mas a primeira povoação genuinamente alagoana foi Penedo, descoberta e instalada pelo primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, que em viagem de Olinda para o Sul, deparou-se com a foz do rio São Francisco e rio acima, parou num lugar repleto de pedras (penedo), instalou-se e deu inicio a povoação. A cidade é linda, preservada, conhecida como a "Ouro Preto do Nordeste", é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. Na década de 1850, recebeu a visita do Imperador Dom Pedro II, que ao desembarcar, ficou fascinado e achava que era a capital da Província. Daí em diante a povoação foi crescendo com a mistura de portugueses, brasileiros e indios, mas a colonização propriamente dita partiu do Norte, exatamente de Porto Calvo, fundada por Cristovão Lins, numa alusão a um porto do rio Manguaba, que era administrado por um homem calvo.   

As senzalas eram construídas próximas ao engenho e distante da casa grande e da capela. Um amplo armazem sem  janelas, onde os negros se amontoavam, mas procuravam preservar as suas tradições trazidas da África: música, religiosidade, idioma, vestuário, etc. Os brancos não aprovavam e jamais um negro era convidado para participar das festas da casa grande. Os capatazes, portugueses ou brasileiros, contratados pelo senhor de engenho para administrar e organizar todo o trabalho do canavial e o engenho, eram os torturadores. Terríveis  foram as torturas aplicadas nos negros africanos.  

A casa grande, geralmente era construída na parte alta da propriedade, ao lado da capela. Abaixo, as margens do rio ou riacho, o engenho, a senzala, a casa de purgar e outras benfeitorias que o senhor construía, como alambiques para fabricação de cachaça, olaria e casa de farinha. Os escravos se desdobravam no trabalho e quando não seguiam as determinações do capataz, eram torturados até a morte. Algumas mulheres serviam a "sinhá" e as "sinhazinhas", mulher e filhas do senhor de engenho, tendo portanto alguma regalia, como dormir nos quartos separados do casarão. Eram exíminas cozinheiras e chegavam a aprender a ler e escrever.   

As senzalas desapareceram a partir de maio de 1888, com a abolição da escravidão, mas os negros continuaram discriminados como ainda são em pleno século XXI. A maioria vive nas cidades e em favelas, com alguns raros alcançando uma boa situação financeira, através dos estudos. A Constituição proibe a discriminação de raças, mas ela existe, aqui e alhures. É clara, aberta e nos raros casos em que o branco agride o negro por questão racial, pode chegar a ser preso, mas logo é libertado, pagando um bom advogado. Por isso e outros problemas discriminatórios, os negros brasileiros não comemoram o 13 de maio (dia da abolição da escravidão) e sim reverenciam o 20 de novembro (data de morte de Zumbi), que é o Dia da Consciência Negra.  

A partir do fim do Quilombo dos Palmares, já no século XVIII, novos engenhos e vilas foram surgindo e o progresso fluiu, chegando aos vales dos rios Mundaú e Paraiba, as lagoas, Penedo e o Agreste. A parte Sul da Captiania de Pernambuco (Alagoas) cresceu rapidamente e abastacendo de açúcar todo o Brasil e Portugal. Os holandeses já não mandavam por aqui e sim portugueses e brasileiros, quando surgiu logo no início do século a chamada Guerra dos Mascates, entre os senhores de engenho e outros de familias tradicionais e o comerciantes (mascates) do Recife. Daqui foi liderar o lado luso-brasileito o capitão José de Barros Pimentel, senhor de engenho e neto de Rodrigo de Barros Pimentel, um dos líderes da Guerra da Restauração contra os holandeses. Conseguiu prender o líder dos Mascates e tudo voltou ao normal.  

Alagoas continua no século XXI ainda tendo como "carro-chefe" de sua economia, o setor sucro-alcooleiro (açúcar e álcool). São 24 usinas que geram empregos e impostos e garantem o intenso movimento no Terminal Açucareiro do Porto de Maceió com os caminhões-tanque despejando o açúcar que segue para o exterior. As usinas de maior produção se localizam na região dos tabuleiros de São Miguel dos Campos, diante de sua terra plana, própria para o cultivo da cana, enquanto a Mata e o Litoral Norte vem sendo ocupada por extensas campineiras para a engorda do gado. O Estado é o maior produtor de açúcar e ácool do Nordeste e durante vários anos, se constituia no segundo maior a nível nacional, perdendo apenas para São Paulo. Hoje é o quarto lugar, superado por Minas Gerais e Paraná. A agricultura foi substituída pela pecuária, com os fazendeiros enriquecendo cada vez mais, empregando poucas pessoas e abastecendo o mercado com carne e leite.  

Um fato inusitado aconteceu na safra 2011/12, com a falta de cortadores de cana. Eles já vinham sendo substituidos por máquinas colhetadeiras de cana, mas ainda são essenciais em algumas fazendas produtoras.Só que estão migrando para a capital e se transformando em serventes de pedreiros,devidamente treinados pelas empresas da construção civil,um dos setores que mais cresce no Estado. Uma pesquisa recente do Ministério do Trabalho e Emprego, aponta Alagoas como o segundo maior gerador de empregos no país, perdendo apenas para São Paulo. É para comemorar essa boa notícia! Afinal a economia alagoana vem se diversificando. O caminho certo para o pleno desenvolvimento.   

Costumes e tradições  

Não existe mais senzala, mas também não tem casa para os trabalhadores das usinas alagoanas. Os usineiros para não garantir vínculo empregatício, derrubaram as casas e os chamados "bóias-frias" vivem nas cidades próximas em péssimas condições de moradia. São transportados em caminhões-gaiolões (semelhante aos que transportam gado) e passam o dia inteiro abaixo de um sol a pino, cortando cana. Sempre ocorrem acidentes com vítimas fatais durante todo o período de safra. A imensa maioria trabalha sem carteira assinada.. Os escravos eram negros, enquanto os bóias frias são mestiços, brancos e negros também. As usinas mantém casas com toda infraestrutura de conforto e segurança para seus funcionários técnicos-administrativos e a casa-grande continua imponente, embora a familia vive mesmo na capital em luxuosas mansões (bairros nobres da parte alta) e apartamentos a beira-mar.   

As sinhazinhas (filhas do senhor de engenho) eram preparadas para casar logo que chegasse a adolescência. Estudavam as primeiras letras com professores particulares na própria casa grande e ainda aprendiam o latim (para acompanhar as missas) e o francês, também bordavam e faziam poesias. Eram românticas, mas dificilmente casavam por amor, sendo obrigadas a casar com primos e até tios ou algum outro rico de familia tradicional. Os "sinhozinhos" eram direcionados para o trabalho no engenho, ajudando o pai. Durante o período colonial, poucos estudavam, porque não existiam faculdades no Brasil, que só sugiram a partir da Independência. Mas tinham aqueles mais ricos, que chegavam a estudar em Coimbra (Portugal) ou ainda ingressar num seminário e se tornar padre. Com a criação dos cursos de Direito em Olinda, Recife, Salvador (assim como Medicina, Engenharia e outros), foram vários filhos de senhores de engenho que se tornaram advogados, médicos, engenheiros e foram viver na capital.   

As "patricinhas", filhas dos usineiros são meninas livres, que vivem a doce vida de milonárias, viajando para o exterior, estudando nos melhores colégios da capital ou de outros Estados, usam roupas de grifes famosas e não mais são obrigadas a casar com que o pai quer, embora dificilmente procurem algum rapaz pobre. Algumas chegam a engajar-se logo no trabalho da usina, quando terminam a universidade. Os "mauricinhos", filhos dos usineiros já não são mais playboys apenas. Estudam geralmente Aministração de Empresa, Economia, Direito, Engenharia, Agronomia ou outro curso da área técnico-administrativa e se engajam no trabalho. 

As "sinhás" que comandavam a casa grande, eram integrantes de familias tradicionais e viviam submissas ao senhor. Geralmente não tratavam ele pelo nome, e sim "meu marido". Vestiam-se impecavalmente, com roupas trazidas de Portugal e da França, perfumadas e administrando todos os afazeres, orientando as filhas para o casamento e organizando banquetes para as festas tradicionais: Natal, Ano Novo, Páscoa, São João, cerimònias diversas, entre as quais casamentos das filhas e filhos, batizados, etc. Tudo na casa grande, dependia dela. Hoje são atuantes como comerciantes (boutiques, principalmente), participam de atividades sociais nas próprias usinas e na capital, além de cultas e viajadas.  

Católicos por índole, herança portuguesa, os senhores de engenho e familia tinham suas capelas particulares, embora participassem das cerimônias nas igrejas das vilas que eles bancavam a construção também. A primeira delas e mais suntuosa foi a de Nossa Senhora da Apresentação, de Porto Calvo inaugurada em 1610. As casas grandes, tinham o chamado "quarto dos santos" onde a familia se reunia todas as noites para rezar o terço. Na hora das refeições também rezavam agradecendo a Deus o alimento que consumiam. Em várias familias existiam padres, formados nos seminários de Olinda e Salvador. Mas tinham ainda os padres que eram fixos nos próprios engenhos, também assumindo a educação dos filhos do coronel (senhor de engenho), lecionando português, latim, francês, história,geografia e aritimética.   

Com a chegada das usinas (década de 1890), os costumes continuaram: a estrutura física era a mesma: casa grande, capela, escola, a usina propriamente dita, já totalmente maquinizada e moderna e casas de moradores, formando um verdadeiro povoado, sem mais as senzalas do tempo do engenho banguê. Os trabalhadores se abasteciam de alimentos no chamado "barracão", uma espécie de merceraria de secos e molhados que também pertencia ao usineiro. Ou seja, trabalhavam, recebiam o salário, mas gastavam quase tudo com alimentos. Outros preferiam ir as cidades nos dias de feira livre.   

As primeiras usinas foram, pela ordem: Brasileiro (Atalaia), do Barão de Vandesmant (francês); Serra Grande (São José da Laje), do coronel Carlos Benigno Pereira de Lyra; Leão (Rio Largo) dos irmãos Amorim Leão. O transporte do açúcar para o porto de Maceió era feito via férrea, já que as três usinas ficavam exatamente em municípios servidos por esse tipo de transporte, que chegava até o próprio porto e daí seguia para o exterior. Novas usinas foram surgindo no Litoral Norte, Sul (Tabuleiros de São Miguel dos Campos), utilizando os caminhões por estradas ainda de barro, já que o asfalto só foi aparecer na década de 1950.   

Nas três primeiras usinas os usineiros se preocuparam em amparar os trabalhadores, construindo casas em alvenaria de tijolo e telha, escolas para as crianças, área de lazer e outras benfeitorias. Na Brasileiro, em Atalaia existia até mesmo uma legislação trabalhista própria, quando, isso não era lei ainda. O Barão de Vandesmanent, dotou sua indústria da mais moderna tecnologia importada de sua terra natal, a França, aumentando assim a produção de açúcar e melhorando a qualidade. Construiu uma linha férrea ligando a usina a cidade de Atalaia, para que seu produto seguisse diretamente ao porto de Maceió. Os trabalhadores dispunham de posto de saúde e medicamentos.   

Hoje, as usinas de açúcar transportam toda a produção em carretas, seja a granel ou em sacos e em poucas horas chega a capital, seguindo direto para o Terminal Açucareiro, colocado numa esteira e entrando nos porões dos navios cargueiros, que levam essa maior riqueza das Alagoas para outros países da América do Sul, América do Norte, Europa, Ásia e África. O Estado continua sendo o maior produtor do Nordeste e um dos maiores do país. Mesma classificação para o álcool, também produzido nas usinas. A maioria das usinas pertence a bisnetos de senhores de engenho. A maior delas e, portanto maior do Nordeste, é a Coruripe, do Grupo Tercio Wanderley, no município do mesmo nome, seguindo da Santo Antonio, do Grupo Correia Maranhão, em São Luiz do Quintunde.   

Os holandeses chegaram. Só destruição!  

Os holandeses destruiram tudo que construimos na primeira metade do século XVII  e ainda conquistaram apoio de alagoanos, como Domingos Fernandes Calabar que orientava esses invasores e acompanhou a destruição de engenhos, morte de escravos, portugueses e brasileiros e ainda a Vila de Santa Maria Madalena (atual Marechal Deodoro) que os colonizadores fundaram às margens da lagoa Manguaba. O senhor de engenho e capitão-mor de Porto Calvo, Rodrigo de Barros Pimentel, filho do português Antonio de Barros Pimentel e de Maria de Vasconcelos Holanda Pimentel (filha de holandês com portuguesa), foi preso e jurado de morte pelos holandeses, depois de ter dois de seus engenhos incenciados, por não aceitar as suas propostas e ficar do lado dos portugueses. Sua mulher, dona Jerônima de Almeida Lins Pimentel, também foi presa e jurada de morte. Mas, convenceu seus algozes de ser libertada junto com o marido por 90 arrobas de açúcar de boa qualidade. E assim, foi feito. Retornaram a Porto Calvo como heróis e iniciaram com seus genros, sobrinhos e primos a restauração daquela vila e dos engenhos.   

A morte de Calabar revoltou os holandeses que retomaram Porto Calvo e começa uma  nova destruição de engenhos e roçados. Os historiadores divergem da atuação desse mameluco. Alguns dizem quem ele era culto e senhor de três engenhos. Mas nas diversas publicações da época, inclusive de holandeses em seus relatórios e no livro O Brasil Holandes - sob o Conde Maurício de Nassau, escrito pelo holandês Gaspar Barléus, apenas cita o seu enforcamento, sem maiores detalhes. Para os portugueses e brasileiros, ele foi mesmo um traidor, já que passou para o lado dos invasores e provocou toda a carnificina e destruição da nossa economia.  

A mais ferrenha luta provocada pelos holandeses ficou conhecida como Batalha da Mata Redonda, no engenho do mesmo nome, que hoje pertence ao município de Porto de Pedras. Eles venceram, matando centenas de escravos, trabalhadores mestiços e tendo apenas uma baixa, exatamente o sobrinho de Maurício de Nassau, mantadatário do Brasil Holandes, que revoltado com essa morte, desfez o acordo de recuperar Alagoas, depois de tanta destruição. Permaneceu priorizando o Recife, com seus palácios luxuosos, suas pontes e gastos astronômicos, sem quase nenhum retorno financeiro para a Holanda. Foi perdendo espaço e terminou mesmo deixando o cargo, votando a sua terra natal. Recomeça as pressões sobre os senhores de engenho alagoanos, humilhados, devedores de tantos empréstimos que faziam com eles e ordenou que todos desocupassem as terras abaixo do rio Manguaba, exatamente atingindo a maior parte do Litoral Norte, a região das lagoas, o Litoral Sul e Penedo, às margens do rio São Francisco. A vila de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul (Marechal Deodoro) já estava praticamente destruída por eles numa operação anterior a de Porto de Pedras.  

A partir de 1645, com o fim da União Ibérica (Portugal e Espanha), começa a Guerra da Restauração, liderada por senhores de engenho de Porto Calvo, tendo a frente Cristovão Lins de Vasconcelos (neto do colonizador) e seu primo Rodrigo de Barros Pimentel. Reconstruiram os engenhos e  própria vila, que voltou ao seu apogeu. Chega a Batalha dos Guararapes e a vitória dos brasileiros, com o fim do domínio holandês.   

O primeiro grito de liberdade  

Foi do "chão alagoano" que ecoou o primeiro grito de liberadade no Brasil. E exatamente do alto da Serra da Barriga, na zona da Mata, em terras hoje pertencentes ao município de União dos Palmares. Ganga Zumba e depois seu sobrinho Zumbi, comandaram milhares de negros fugitivos dos engenhos que formavam uma verdadeira república parlamentarista aos moldes da pátria-mãe: África, seguindos seus costumes e tradições, que eram proibidos nas senzalas dos engenhos, além é claro do respeito mútuo, do trabalho comunitário, da liberdade de ir e vir e de cultivar a terra que eles se refugiaram, distante da verdadeira prisão em que viviam: os engenhos.  

Os negros logo que chegavam ao Recife e eram vendidos aos senhores de engenho, seguiam para o trabalho e os padres os batizavam na Igreja católica. Assim eles começaram a culturar os santos, comparando com seus orixás. Nossa Senhora, passou a ser Iemanjá. Nas senzalas eles cultuavam essa imagem como a "rainha do mar" sempre em suas linguas, enquanto os brancos achavam que eles haviam se convertindo e reverenciam a mãe de Jesús. Pura balela! Os africanos estavam realmente cultuando a sua deusa e a tradição perpetuou-se até hoje. Enquanto os católicos comemoram o 8 de dezembro como o dia de Nossa Senhora da Conceição, os negros reverenciam Iemanjá, levando oferendas para o mar.   

Tudo aconteceu logo no início do século XVII, quando chegavam aos montes negros africanos para trabalhar como escravos nos engenhos da Capitania de Pernambuco. Os que já estavam procuravam fugir e se embrenhar nas matas e viver a liberdade em meio a pura raça negra, distante dos brancos, seus algozes. Lá eles cultivam a terra plantando mandioca e outras lavouras, caçavam, pescavam, dançavam, cantavam, louvavam seus deuses e procriavam, aumentando cada vez mais a população negra. Vez por outras, se misturavam aos remanescentes dos índios Caetés, principalmente os Caambembes que viviam na região do atual município de Viçosa, onde os negros criaram alguns quilombos. Daí gerou-se uma sub-raça: Cafusos, mistura do negro com o índio.   

Era preciso que surgisse um líder da raça que incetivasse os demais a lutar pela tão sonhada liberdade. E assim entra em cena, Ganga Zumba, que conseguiu mobilizar milhares de negros que viviam escravizados nos engenhos dos vales dos rios Manguaba, Camaragibe e Santo Antonio, além das margens das lagoas Mundaú e Manguaba. Todos se refugiram na Serra da Barriga e formou-se o maior Quilombo brasileiro, uma verdadeira civilização aos moldes da África de onde eles vieram aos montes para o trabalho nos engenhos alagoanos. Lá eles falavam a língua pátria, cultuavam sua religião, plantavam, cultivavam e consumiam tudo, sem se preocupar com a venda. Era uma espécie de cooperativa. Um avanço naquela época.  

O tempo foi passando e Ganga Zumba envelhecendo. Era preciso escolher seu sucessor. Na tradição africana o comando deveria ser de um sobrinho e não filho. Assim chega Zumbi, um negro forte de pouco mais de 20 anos de idade, criado por um padre de Porto Calvo, que logo se adaptou a comunidade e iniciou seu trabalho de luta pela liberdade que durou até sua morte e a destruição do Quilombo, em 20 de novembro de 1695, quando tudo ardia em chamas e ele conseguiu fugir e se refugiar com alguns companheiros na Serra dos Dois Irmãos (Viçosa), E foi exatamente nesse local que foi morto e sua cabeça cortada, salgada e levada como troféu para ser exibida em praça pública no Recife.  

Zumbi foi um líder nato. Sua mulher Dandara, uma guerreira que liderava o grupo feminino. Formava-se então um verdadeiro reino: O Rei a a Rainha. O grupo se organizava e se preparava para a luta contra os invasores, que foram muitos durante os quase 100 anos de funcionamento do Quilombo. Quando esse dia chegava, o Quilombo fervia. Eram homens e mulheres de prontidão para o ataque no alto da Serra. Sempre venciam, devido a quantidade de negros bem superior a de brancos. 

No tricentenário de sua morte em 20 de novembro de 1995, ao visitar a Serra da Barriga, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, assinou o tombamento do local como Patrimônio Histórico Nacional, determinou que 20 de novembro seria a partir dalí o Dia Nacional da Consciência Negra e Zumbi, Herói Nacional. Um reconhecimento tardio, mas uma vitória dos negros que reverenciam esse dia, reunindo-se a cada ano naquele local para muitas solenidades e chamar mais uma vez a atenção do País de que é preciso cada vez mais unir forças para acabar definitivamente com o preconceito racial.  

Com a Serra da Barriga, patrimônio histórico, as terras pertencem ao povo, principalmente os negros. Assim, Fundações e Organizações Não Governamentais, além do próprio governo tanto a nível federal, como estadual construiram o Memorial Zumbi, com réplica do que era o Quilombo.Isso aconteceu em 2007 e o governo investiu R$ 1,7 milhão. E parou por aí. De lá para cá, só quando se aproxima o Dia Nacional da Consciência Negra, o espaço é restaurado. Assim fizeram em novembro de 2011, limpando tudo, colocando as instalações em condições de receber os vistantes, que são milhares tanto do Brasil como do exterior.   

Zumbi dos Palmares é nome do Aeroporto Internacional de Maceió; do Palácio do Governo estadual; de escolas, praças, ruas, etc. Mas tudo isso só aconteceu exatamente depois dele se tornar um Herói Nacional a partir de seu tricentenário de morte. Hoje o dia 20 de novembro, é feriado em várias cidades brasileiras.     

E Pernambuco perde Alagoas!   

O progresso da Comarca de Alagoas a partir de 1710, incomodava os pernambucanos, que claro se aproveitavam de toda nossa riqueza (açúcar, principalmente). Movimentos foram surgindo em Maceió, Porto Calvo, Marechal Deodoro e Penedo em prol da emancipação política com a transformação de Comarca em Capitania como já havia ocorrido com Sergipe, Paraiba e Rio Grande do Norte. Alagoas merecia. Afinal a estrutura estava montada: social e economicamente.  

 

Na virada do século XVIII para o XIX, Alagoas esbajava progresso, com novas vilas, um comércio fluorescente, a economia açucareira crescendo cada vez mais. Começa então a luta por sua emancipação da Capitania de Pernambuco. Em 5 de dezembro de 1815, o então povoado de Maceió ganha status de Vila, emancipando-se da de Alagoas (Marechal Deodoro), que também era sede da Comarca. As lideranças políticas das duas vilas se desentendiam sempre, exatamente porque a nova vila já ultrapassava a antiga em tamanho e população, diante do intenso movimento do porto de Jaraguá.   

Em 1817, desencadeou-se a Revolução Pernambucana, que tinha como objetivo separar Pernambuco e demais capitanias de Portugal, transformando-se num país independente. Na Comarca de Alagoas, os líderes do movimento encontraram o apoio do então Comandante das Armas, José Vitoriano Borges da Fonseca, que mandou destruir todos os símbolos de Portugal e colocou os presos em liberadade, passando por cima do chefe maior: o ouvidor Batalha, que se encontrava nesse dia, na vila de Atalaia, onde escreve ao Conde DArcos, governador da Bahia, informando sobre a Revolução e adota medidas radicais: separa a Comarca de Alagoas da Capitania de Pernambuco e se autonomeia governador. Seu poder máximo durou pouco. Em 16 de setembro de 1817, Dom João VI assina o alvará régio, emancipando Alagoas de Pernambuco definitivamente e não nomeia o ouvidor como governador e sim o português Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, que governanava a capitania do Rio Grande do Norte.   

O primeiro governador, ao desembarcar no porto de Jaraguá, encantou-se com Maceió e permaneceu na vila por vários dias, hospedado no sobrado de um português na Rua do Comércio. Depois, seguiu para a capital, tomando posse numa cerimônia com muita pompa na matriz de Nossa Senhora da Conceição e ficando lá, nomeando seus auxiliares, organizando toda a máquina administrativa, mas sempre "de olho" em Maceió, o que provocava ciumeira nas lideranças locais. Mas ele provocava mesmo. Passava mais tempo em Maceió do que na capital e começou a transferir as principais repartições públicas para a nova vila a beira-mar. Contratou um engenheiro francês para fazer a planta urbana, que ao ser concluída deu ares de capital a vila, com suas ruas centrais, o pelourinho, novas construções residenciais e comerciais. Assim surgiram as duas praças: da Matriz (catedral) e dos Martirios e as ruas do Sol, Apolo, Comércio, Boa Vista, Livramento, Nova, Macena, Alegria, Augusta e alguns becos. O traçado continua o mesmo até hoje, mudando apenas a pavimentação. Nunca houve alargamento, mas depois foram surgindo novas ruas, praças e a avenida a beira-mar.   

O governador permaneceu em Alagoas até meados de 1822, renunciando e retornando a Portugal, mas nomeando uma Junta Governativa formada pelas lideranças políticas locais: Antonio José Ferreira, José de Souza Melo, Nicolau Paes Sarmento, Manuel Duarte e Antonio de Holanda Cavalcante. Ao se despedir de Alagoas, Melo e Póvoas deixou saudades aos maceioenses, que o adoravam e tinham a esperança de que ele iria transferir a capital.Seu nome é lembrado em uma rua no bairro de Jaraguá.     

A Província de Alagoas    

Logo depois da saída de Melo e Póvoas, o que mais se esperava aconteceu: O Brasil independente de Portugal. O príncipe regente Dom Pedro I, dar o seu grito de independência as margens do riacho Ipiranga em São Paulo e torna-se o primeiro Imperador do Brasil. As capitanais passaram a ser províncias e os governadores, presidentes nomeados por ele. Alagoas ganha status de província, cinco anos após ter se separado de Pernambuco. Mas a capital continuou sendo na velha Alagoas (Marechal Deodoro).  

Nos primeiros anos do Brasil independente, Alagoas "fervia". Eram constantes os conflitos entre portugueses e brasileiros. A Confederação do Equador, em 1824, que surgiu em Recife, chegou por aqui e conquistou muitos adeptos como o senhor de Engenho Manuel Vieira Dantas e sua mulher Ana Lins, do Engenho Sinimbu, em São Miguel dos Campos. Houve muita perseguição aos revolucionários e esse coronel foi preso, juntamente com um dos seus filhos. Mas a mulher, guerreira e politizada, entricheirou-se na casa grande, lutando muito, embora terminou sendo presa com seu filho menor, o futuro Visconde de Sinimbu. O movimento acabou, ela e o marido foram libertados e voltaram para o engenho. Passou para a história como uma das heroinas alagoanas, assim como foi sua trisavó Jerônima Pimentel, na guerra contra os holandeses e ainda Clara Camarão, que participou dessa guerra com muita bravura.   

A notícia da abdicação de Dom Pedro I provocou muitas brigas entre brasileiros e portugueses. Um outro movimento surgiu: "Mata-Mata Marinheiro", alusão aos portugueses, que os brasileiros queriam expulsar. Muitos que viviam em Alagoas, mudaram seus sobrenomes para os já comuns: Silva, Souza, Santos, Ferreira, Pereira, Barbosa,Passos, Marques,Vital, Nascimento,  etc, enquanto senhores de engenho adotataram nomes nativos a exemplo de: Sinimbu, Cansanção, Jatobá, Porangaba, Ferro, Cajueiro, Oiticica, Carnaúba, Porangaba e outros. Os manifestantes apoiavam a ascensão do filho menor do Imperador: Dom Pedro II, por ser brasileiríssimo.     

Alagoas chega a década de 1830 movimentada, mas ainda influenciada pelo Recife, a metrópole nordestina. Maceió esbanjava crescimento, e em 1831 surgiu o primeiro jornal diário na então vila: o Iris Alagoense, mais um avanço sobre a capital, que nada dispunha a nível cultural. Novas escolas foram surgindo nas vilas de Penedo, Porto Calvo, Santa Luzia do Norte, Atalaia, Anadia, São Miguel e Maceió. Nesse mesmo ano, a 13 de outubro, surgem duas novas vilas: Imperatriz (União dos Palmares) e Assembléia (Viçosa). Os presidentes (governadores) da Província, chegavam, assumiam e demoravam pouco. Eram pernambucanos, paraibanos, potiguares, cearenses, sergipanos, baianos, mineiros, paulistas e até gaúchos. Apenas três foram alagoanos: João Lins Cansanção de Sininmbu (Visconde de Sinimbu) e os irmãos Hermelindo e Esperidião Acciooly de Barros Pimentel, todos formados em Direito, na Faculdade de Olinda, na década de 1820.  

Surge uma espécie de partidos políticos: Os Lisos e Cebeludos, liderados respectivamente por Tavares Bastos e Cansanção de Sininbu (Marechal Deodoro e Maceió, respectivamente), diante da briga formada bem antes pela transferência da capital. Muitas confusões dos dois lados, mas sempre com  mais vantagens para Maceió que crescia a cada ano, com ares de capital, enquanto a velha Alagoas decaía. Mas as lideranças políticas da capital, tendo como líderes, o major Mendes da Fonseca (pai do marechal Deodoro da Fonseca) e Tavares Bastos, não aceitavam a transferência, que tinha de acontecer. Maceió esbanjava crescimento e sempre contava com o apoio dos presidentes (governadores).   

O movimento dos cabeludos ganha força com o apoio do presidente (governador) Agostinho da Silva Neves, que assim como Melo e Póvoas adorava Maceió e permanecia mais tempo na vila a beira-mar. Sinimbu, era a liderança maior e sonhava em comandar Alagoas, logo que Maceió fosse capital. A guerrilha dos Lisos e Cabeludos "fervia". Muitos confrontos tanto na vila como na capital, com algumas mortes, mas sempre Maceió liderando.  

O govervandor Agostinho Neves retorna a capital e é preso pelas autoridades políticas locais, por ser declaradamente a favor dos Cabeludos que queriam a transferência da capital. No dia 9 de dezembro de 1839, ele é autorizado a ir embora de Alagoas para a Bahia. Uma escolta policial leva o mandatário ao porto do Francês para pegar um navio e deixar a Província. Mas com sua autoridade máxima, ordena que o comandante do navio faça o caminho de volta para o Porto de Jaraguá (Maceió), onde desembarca já com o decreto de transferência pronto. É ovacionado e carregado nos braços até o "pelourinho", a atual Praça Dom Pedro II, onde declara que a partir daquele momento  a capital da Província de Alagoas, é Maceió.   

Na década de 1840, a praça central da nova capital (atual Praça Dom Pedro II), já estava formada com dois sobradões.O primeiro pertencia ao Barão de Atalaia (Lourenço Cavalcanti de Albuquerque) e o outro ao Barão de Jaraguá (José Antonio de Mendonça), que fez o seu para tirar a visão do mar do seu rival. Já tinha a Assembléia Provincial (atual Asembléia Estadual) e o Palácio Provincial ficavan nos fundos do Palacete do Barão, depois voltando para a parte da frente da praça. A capital crescia e em 1849, é fundado o primeiro estabelecimento de ensino secundário de Alagoas: o Lyceu Alagoano.   

Acaba a guerrilha dos Lisos e Cebeludos. Sinimbu ascende a presidência de Alagoas e depois decide ir morar no Rio de Janeiro, onde torna-se uma "estrela" da Monarquia: Conselheiro, Ministro, Visconde. Tavares Bastos elege-se deputado provincial e também brilha, tornando-se um dos mais importantes políticos do século. A Provínica cresce, mas surgem novos escândalos, guerrilhas, crimes de mando e corrupção total, com Alagoas sempre sempre uma má notícia nacional.   

Em Palmeira dos Índios, o padre Moraes é assassinado. Só que ele tinha filhos bastardos, que se assinavam Moraes, os chamados "Irmãos Moraes", que descobriram que os assassinos eram integrantes da familia Cavalcante. E assim começa a perseguição. Quem fosse  Cavalcante, era vítima certa dos ferozes irmãos..A notícia se espalhou na Imprensa e muitos Cavalcante foram mortos em Bom Conselho, Correntes,Águas Belas, Palmeira dos Indios, Quebragulo, Viçosa, Capela, Atalaia.   

 

A Província de Alagoas chega a segunda metade do século XIX esbanjando progresso. Do Litoral ao Sertão, tudo estava habitado., A vilas de Mata Grande, Água, Branca,Águas Belas, Bom Conselho, Correntes. Palmeira dos Indios, Quebrangulo, Piranhas, Pão de Açúcar, Santana do Ipanema, Traipu, São Bras, Porto Real do Colégio, Penedo, Piaçabuçu, Traipu, Pão de Açucar,  Coruripe, Poxim, São Miguel dos Campos, Anadia, Assembléia (Viçosa)., Capela, Atalaia, Imperatriz (União dos Palmares), e ainda as vilas do Litoral e lagoas, formavam uma Província progressista. Mas Pernambuco tomou as vilas de Águas Belas, Bom Conselho e Correntes, mudando o mapa da Provincia, formando uma ave, com as duas asas. Hoje continuam fazendo fronteira com Alagoas e obviamente dependem mais da capital de Alagoas do que da de Pernambuco, diante da distância menor.     

Os caminhos do Imperador  

Dom Pedro II chega a Alagoas, entrando na foz do  rio São Francisco, em dezembro de 1859.  Ao desembarcar em Penedo, ficou encantado com a beleza da vila e perguntou se era a capital da Província. Hospeda-se num sobrado (hoje Museu Imperial), defronte ao rio. Visita as belas Igrejas, a Casa da Aposentadoria, o Convento de Nossa Senhora das Dores, o Teatro 7 de Setembro e outras edificações. Parte em seu navio para conhecer as novas povoações e primeiro desembarca em Porto Real do Colégio, fundando pelos jesuítas e depois Traipu, pernoitando e visitando a bonita vila, depois seguindo para Belo Monte e chegando a Pão de Açúcar, que já despontava como uma das mais progressistas do Sertão. Segue para Entremontes e termina sua viagem em Piranhas, onde demora mais. A cada visita, reunia-se com autoridades locais, conhecia as escolas, distribuia verbas e garantia novos recursos financeiros para o engrandecimento sócio-econômico de cada localidade.   

 

De Piranhas, a comitiva imperial segue a cavalo para a cachoeira de Paulo Afonso, que deslumbrou o Imperador, ainda forte, capaz de percorrer a pé várias trilhas até a chegada da queda d água. Encanta-se com a bela paisagem, prenunciando naquele local uma hidrelétrica, que décadas depois realmente foi construída, já o país como República, através de um cearense que teve o mesmmo deslumbramento, mas foi mais audacioso e corajoso, construindo a usina, uma fábrica de linhas e fundando a vila de Pedra: Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, o "Mauá do Sertão".  

Na viagem de volta rio abaixo, o Imperador segue direto para Maceió, onde é recebido com muita festa e encontra a Imperatriz que vinha de Salvador. Na capital, o casal imperial inaugura a magestosa matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, na noite de 31 de dezembro de 1859 e depois é recepcionado com um grande baile no Palacete da Assembléia Provincial. Um réveillon à altura de Sua Magestade. O casal ficou hospedado no Palacete do Barão de Jaraguá (atual Biblioteca Pública). Visitou entidades públicas como o Lyceu Alagoano; Hospitais como a Santa Casa de Misericórdia; o Quartel Geral da Políticia Militar e do Exército; a cadeia pública; repartições públicas, despachou com o presidente (governador) e secretários e percorreu as ruas centrais, bairros e a cada noite era uma festa, sempre com muito requinte e sofisticação, com a alta sociedade maceioense presente nos salões da Assembléia e do Palácio. Conheceu as lagoas Mundaú e Manguaba e as vilas de Alagoas (Marechal Deodoro), Santa Luzia do Norte e Pilar, além do povoado Coqueiro Seco, deslumbrando-se com sua bela Igreja.   

 

A viagem do Imperador não parou. Ele seguiu com sua comitiva para a região Norte, visitando engenhos como o Novo e o Buenos Ayres, os que detinham as casas grandes mais suntuosas para receber o casal. Passou ainda pelas vilas de Porto Calvo, Porto de Pedras e Colônia Leopoldina e retornou a capital para daqui fazer o caminho de volta ao Rio de Janeiro. Em 2009, para relembrar essa viagem, chega às Alagoas o seu trineto, o príncipe João de Orleans e Bragança, que fez o mesmo percurso do rio São Francisco, acompanhado de autoridades locais e recebeu a confirmação do governador Teotônio Vilela Filho de que fará "Os Caminhos do Imperador", uma estrada asfaltada ligando Piranhas a foz do Rio São Francisco, um novo corretor turístisco.  

Mas o rio São Francisco que o Imperador conheceu há 150 anos não é mais o mesmo. Sua vazão vem diminuindo a cada ano, diante das hidrelétricas construidas ao longo de seu percurso de Minas Gerais a Alagoas. Vai piorar mais ainda quando a sua transposição estiver concluída, levando água para o Sertão nordestino e prejudicando mais Alagoas e Sergipe.   

A Catedral Metropolitana, comemerou seus 150 anos de inaugurada, numa solenidade memorável, exibindo ainda intacta a imagem da padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres, em tamanho natural em seu altar-mor, presente do Barão de Atalaia. É tombada pelo Patrimônio Histórico e foi recentemente restaurada, através de verba do Ministério da Cultura. Todos os locais em que o Imperador esteve hospedado, continuam preservados nas várias cidades por onde passou em 1859.   

Os barões de Alagoas  

Logo depois da visita do Imperador Dom Pedro II às Alagoas, "choveram" títulos de Barão para os verdadeiros nobres, ricos que colaboraram com essa visita. Os senhores de engenho receberam título de Coronel da Guarda Nacional, enquanto fazendeiros, altos comerciantes, magistrados e outros milionários se transfomaram em Barões. Todos se imortalizaram com seus nomes em ruas, avenidas, praças, escolas e outros espaços públicos, além de constarem nos livros de História.   

Para a visita do Imperador, era necessário muito dinheiro. E o governo resolveu pedir colaboração aos ricos alagoanos. Foram senhores de engenho, comerciantes e altos fazendeiros. Cada um fez sua doação em dinheiro. De Assembléia (Viçosa), o então capitão José Martins Chaves Ferreira, português e fundador do Engenho Boa Sorte, fez sua doação milionária e como recompensa foi elevado ao posto do coronel da Guarda Nacional. Poderia ter sido Barão de Assembléia, pois o decreto imperial já estava sendo preparado,quando ele morreu em 1879.  

 

Mas antes do Império, quando o Brasil era colônia de Portugal, os nobres eram Alcaides (espécie de prefeito, chefe político), Alferes (honraria militar), coronel, capitão, major, tenente. Recebiam espada, título impresso e se tornavam os verdadeiros mandatários de suas regiões. Cada vila ´possuia seu alcaide-mor, ou seja a principal autoridade, que fazia o papel de prefeito, vereador e juiz de paz.   

As verdadeiras famílias quatrocentonas de Alagoas, aquelas que se fixaram  e criaram raízes, nos séculos XVI e XVII, foram pela ordem: Lins, Holanda, Vasconcelos, Barros Pimentel, Almeida, Marinho Falcão, Fernandes, Albuquerque, Cavalcanti, Melo, Soares, Filgueiras, Martins Ribeiro, Moura Castro, Rocha Dantas, exatamente os donos das primeiras sesmarias (grandes propriedades) onde fundaram engenhos de açúcar, criaram gado e fundaram as vilas de Porto Calvo, Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul, Santa Luzia da Lagoa do Norte, Penedo e São Miguel dos Campos. Depois foram surgindo outras como os Mendonça, Moreira, Alarcão Ayala, Accioli, Chaves,Wanderley, Chagas, Vasconcellos, Machado, Toledo, Mello, Torres, Malta, Vieira, Rodrigues, Brandão, Carvalho e outras espalhadas já por outras regiões distantes do Litoral e da zona da Mata.  

Mas os barões mais famosos foram os de Penedo, Jaraguá e Atalaia, pela ordem. O primeiro, um diplomata que era o embaixador do Brasil na Inglaterra. O segundo, o verdadeiro "Mauá de Alagoas", que construiu a primeira indústria urbana em 1857: a fábrica de tecidos de Fernão Velho e o terceiro, milionário, dono de muitas terras, casado com a sofisticada Ana Luiza Cansanção de Sinimbu, irmã do Visconde de Sinimbu, também diplomata, conselheiro do Império, presidente da Província de Alagoas e brilhante magistrado, formado na  Faculdade de Direito de Olinda.  Barão de Vandesment, francês, já chegou às Alagoas com esse título e foi o fundador da Usina Brasileiro. Veja a lista dos Barões de Alagoas:  

- Barão de Água Branca: Joaquim Antonio de Siqueira Torres 

- Barão de Alagoas (Marechal Deodoro): Severiano Martins da Fonseca 

- Barão de Anadia: Manuel Joaquim de Mendonça Castelo Branco 

- Barão de Atalaia: Lourenço Cavalcanti de Albuquerque Maranhão 

- Barão de Imburi: Manuel da Cunha Lima 

- Barão de Jaraguá: José Antonio de Mendonça 

- Barão de Jequiá: Manuel Duarte Ferreira Ferro 

- Barão de Maceió: Antonio Teixeira da Rocha 

- Barão de Murici: Jacinto Paes Moreira de Mendonça 

- Barão de Palmeira dos Indios: Paulo Jacinto Tenório 

- Barão de Penedo: Francisco Inácio de Carvalho Moreira 

- Barão de Piaçabuçu: João Machado de Novais Melo 

- Barão de Porangaba: José Miguel de Vasconcelos 

- Barão de São Miguel: Epaminondas da Rocha Vieira   

- Barão de Traipu: Manoel Gomes Ribeiro   

Existem preservados os palacetes dos barões de Água Branca, Atalaia, Jaraguá e Penedo. Em Maceió, já como capital da Província, foi construído o palacete do Barão de Atalaia e do de Jaraguá, na Praça da Matriz (atual Dom Pedro II).     

Partidos e Imprensa  

A segunda metade do século XIX foi de agitação política. E Alagoas continuava sendo uma má notícia com escândalos estampados nos jornais locais e de outros Estados. Surgiram os partidos Liberal e Conservador, seguindo a tendência nacional. E aqui dois partidos foram criados pelos próprios líderes políticos: Luzias e Saquremas, instalados durante a presidência de José Bento da Cunha Figueiredo. O primeiro, utilizava o jornal O Tempo, com suas idéias oposicionistas ao mandatário da Província, enquanto o segundo tinha como ponto de apoio o jornal Timbre Alagoano, atacando o partido oposicionista.  

Na presidência de Pereira de Alencastro, esses dois partidos se dividiram. Os Luzias criaram o Partido Progressista e o Partido Histórico, que logo depois coligou-se aos Saquaremas. A Imprensa crescia e com ela os escândalos, que obviamente só eram conhecidos pelos leitores dos jornais, que tinham dinheiro para usufruir dessa fonte de informações e, eram eleitores, já que no tempo do Império, só votava quem era rico, o chamado "voto censitário", destinado apenas aos alfabetizados e burgueses. Os pobres não votavam.  

Mas não era só em Maceió que existiam jornais impressos: Penedo, Palmeira dos Indios, Pão de Açúcar, Pilar e Viçosa também possuiam seus jornais, geralmente impressos em tipografias locais. Seguiam o mesmo critério dos que circulavam na capital: situação e oposição. Muitos chegaram a defender a abolição da escravidão. Em Maceió sugiu em 1881, a Sociedade Libertadora Alagoana, que marcou época, detendo dois jornais:Lincoln e O Gutemberg, engajados na luta pelo fim da escravidão.  

Já na fase da luta pela República, surgiram mais dois jornais: O Apóstolo e A República. Em 1888, o jornalista João Gomes Ribeiro fundou o Centro Republicano Federal de Maceió. Um ano depois, o alagoano marechal Deodoro da Fonseca, proclamou a República, transformando as Províncias em Estados Federativos e as vilas em Municípios. 

A política em Alagoas sempre foi clientelista. Existiam e ainda existem os verdadeiros "currais eleitorais", onde os chefes políticos mandam e desmandam, comprando votos de eleitores analfabetos ou mesmo alfabetizados, mas pobres. A cada eleição os fatos se repetem, embora agora com menos intensidade, graças a atuação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público e do próprio Tribunal Regional Eleitoral - TRE, que juntos estão punindo os corruptos que, comprovadamente compram votos. Muitos perderam seus mandatos.  

No início do século XX, surge a fase das oligarquias (domínio de uma familia na política). A primeira delas e a mais longa foi a dos Vieira Malta, família tradicional de Mata Grande, que teve dois irmãos governando o Estado durante 12 anos: Joaquim Paulo e Euclides Vieira Malta, formando assim a chamada "Oligarquia dos Malta". E a familia perpetuou-se na região, elegendo-se deputados, vereadores e prefeitos. Na década de 1930, mais uma familia oligarquica: os Goes Monteiro. Foram três irmãos que governaram Alagoas: Ismar, Edgar e Silvestre Péricles de Goes Monteiro, que também tiveram atuação no Governo Vargas através do General Goes Monteiro. Já nos anos 70, surgem a "oligarquia dos amigos", com os governadores Divaldo Suruagy e Guilherme Palmeira, que durou até a década de 1990.   

Na segunda década do século XX,  em 1912, a Imprensa estampou a matéria: "A quebra de xangó". A ira do governador contra os integrantes do xangó, que tiveram seus "terreiros" destruídos, num total deserpeito aos cultos afro-brasileiros. Formado mais especificamente por pessoas pobres dos bairros da periferia de Maceió, negros, mestiços e brancos, os xangós se constituiram num abuso aos burgueses integrantes da alta sociedade da capital, que queria o seu fim. Houve tortura e morte dos chamados xangozeiros, pessoas simples que em nada prejudicavam os burgueses, apenas reverenciando seus orixás, dançando e cantando.   

A Imprensa cresce, sempre com a participação de"caciques" políticos, sejam como donos dos jornais ou amigos dos donos. Se um determinado jornal critica o governo, a verba publicitária é cortada e ele termina mesmo falindo, já que manda também nos demais anunciantes. O Jornal de Alagoas, dos Diários Associados do famoso jornalista Assis Chateaubriand, era governista a nível nacional. Foi o que circulou por mais tempo, durante 85 anos de circulação diária e um bom tempo, impresso na gráfica do Diário de Pernambuco, em Recife, do mesmo grupo. Hoje, o mais antigo é a Gazeta de Alagoas, da Organização Arnon de Mello, fundado na década de 1930, comandado pelo  senador Fernando Collor de Mello. O outro, é O Jornal, do usineiro e político, João Lyra e mais a Tribuna Independente, formada por uma cooperativa de jornalistas. 

Temido mesmo pelos poderosos, é o semanário EXTRA totalmente imparcial e oposicionista, que estampa a cada edição, manchetes com escândalos políticos nos três Poderes constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário). É um "prato cheio" para a chamada grande imprensa nacional, com suas matérias servindo de pauta. A cada sexta-feira,quando chega as bancas e jornaleiros, "vende como água". É disparado o mais vendido, sem obviamente ter assinantes como os diários.   

E o povo elege seus governadores! 

Passada a fase do Império, Alagoas teve seus presidentes (governadores) nomeados pelo Imperador e, chegando a República com governadores também nomeados pelo Presidente. O primeiro deles foi um ato de nepotismo (emprego público para parentes): o presidente Deodoro da Fonseca nomeia governador de Alagoas, o irmão Pedro Paulino da Fonseca. Mas logo em seguida chega a vez do povo eleger seus mandatários e, o primeiro eleito é o penedense Gabino de Araújo Besouro tendo como vice, Manuel Gomes Ribeiro, Barão de Traipu, que governaram o Estado de 1892 a 1894. Nessa fase foi criado o Hino de Alagoas, assim como o início da construção do Palácio do Governo e a criação da Junta Comercial de Alagoas. Nova eleição e o Barão é eleito governador, permanecendo até 1897, quando é eleito Manuel Duarte e o vice Francisco Santos Pacheco, que pemanecem até a virada do século XIX para o XX.  

 

Entra em cena a chamada "Oligarquia dos Malta" com a eleição pelo voto direto de Euclides Vieira Malta em 1900, que inaugurou o Palácio do Governo (Praça dos Martírios, o Teatro Deodoro, A Intendência Municipal (Prefeitura), implantou a reforma da educação pública; o laboratório de Física no Lyceu Alagoano e criou o Tribunal de Contas. Seu irmão Joaquim Paulo foi eleito e continuou com a oligarquia até 1912, quando nova eleição é realizada e elege-se Clodoaldo da Fonseca, sobrinho de Deodoro da Fonseca. Criou a Imprensa Oficial (DIário Oficial, com os atos do governo), reorganizou  ensino primário e normal, renunciando e assumindo o vice-governador João Batista Accioly, que governou dois anos, até as eleições de 1918, quando ganha o advogado José de Barros Pimentel FERNANDES LIMA, que governou Alagoas até 1924, por dois mandatos consecutivos, lançando o programa "Rumo ao Campo" com incentivo a agricultura, construiu rodovias e ampliou a saúde pública. Foi um dos fundadores da Academia Alagoana de Letras, em 1919. 

Novas eleições são realizadas em 1924 e os alagoanos elegem o jornalista Pedro da Costa Rego, do Pilar, mas com atuação na capital da República. Vem dele a alcunha típica ainda hoje muito usada: "Quem era Naninha", alusão a uma tia do governador, solteirona, que morava no Pilar e sempre chegava o carro oficial do governador para ela ir visitar o sobrinho no Palácio dos Martírios, em Maceió. Ele fez um governo de revanchismo, mas atuou muito na área social e econômica, construindo várias escolas, postos de saúde, a rodovia ligando Maceió a São Miguel dos Campos, aparelhando a Polícia Militar e a Guarda-Civil. Terminou seu mandato em 1928 com novas eleições e a a vitória de Alvaro Correia Paes, que governou o Estado até 1930, ao estourar a Revolução de 1930 e a ascensão do gaúcho Getúlio Vargas à Presidência da República, começando a fase dos interventores nos Estados.  

Getúlio Vargas assume a presidência da República e acaba com as eleições para governadores, nomeando como primeiro Interventor de Alagoas, Hermílio de Freitas Melro, iniciando uma fase em que os governantes não eram escolhidos pelos eleitores.Novos interventores são nomeados: Luiz de França Albuquerque, Tasso de Oliveira Tinoco, Osman Loureiro (duas vezes), Edgar de Goes Monteiro (duas vezes também) e o último Antonio Guedes de Miranda, que atravessou  a queda de Getúlio Vargas e passou o governo para Silvestre Péricles de Goes Monteiro, eleito em 1947, por eleição direta. Começa a fase da redemocratização em Alagoas. Ele inaugura o serviço de abastecimento e água de Maceió, a Rádio Difusora e constroi vários grupos escolares na capital e interior.  

Alagoas entra na década de 1950 com mais agitação política. São realizadas eleições gerais em todo o País e o povo elege Getúlio Vargas que amargava seu exílio no Rio Grande do Sul e voltou triunfante nos braços do povo. Era o chamado "pai dos pobres", que criou a legislação trabalhista, o salário mínimo e outros benefícios para os trabalhadores. Aqui, foi eleito governador, o jornalista Arnon de Mello, ferrenho adversário de Silvestre Péricles. É inaugurada a primeira rodovia asfaltada, ligando Maceió a Palmeira dos Indios, novas escolas são criadas, hospitais e postos de saúde.

 Na eleição seguinte, o povo elege o advogado Sebastião Marinho Muniz Falcão, considerado populista e que logo providenciou criar um imposto extensivo aos usineiros, os verdadeiros "donos da economia". Criou a Companhia de Eletricidade de Alagoas (Ceal) e realizou grandes obras. Depois é eleito o major do Exército, Luiz Cavalcante, que tornou-se um dos governadores mais populares de Alagoas, diante de grandes obras que realizou e era querido pelos pobres, com seu jeito simples de ser, andar sozinho pelas ruas e visitar bairros da periferia da capital. Em Maceió, o prefeito eleito foi o radialista Sandoval Caju, outro populista, que modernizou a capital, com as praças urbanizadas, bancos, parques infantis e sempre com a sua marca o "S". Termina a fase de redemocratização no país com o Golpe Militar de 1964. 

 Como integrante do Exército, o Major Luiz Cavalcante ultrapassou o Golpe Militar de 1964, enquanto os demais foram destituídos. Governou ainda dois anos, saindo com um bom saldo positivo de realizações e elegeu-se senador da República. É nomeado então em 1966, o general João José Batista Tubino, do Exército brasileiro, que governou "a mão de ferro" como seu superior da Presidência da República. Logo depois é eleito indiretamente pela Assembléia e aprovado pelo mandatário da Nação, o então deputado Antonio Semeão Lamenha Filho, um homem de bem que soube conduzir o Estado governando com responsabilidade e seguindo o que mandava a nova Constituição promulgada em 1967. Fez várias obras de grande importância para Alagoas, como o Estádio Rei Pelé. 

Mais um governador é nomeado pelo presidente, o jurista Afrânio Salgado Lages, que voltou-se para o desenvolvimento econômico. Era a época do "milagre brasileiro" promovido pelo então presidente Emílio Medici. Implantou a Salgema Indústrias Químicas, a Fives Lile Industrial do Nordeste e Forene, grande indústrias que muito contribuiram para a economia alagoana. Só a Salgema sobreviveu, transformou-se em Trikem e atualmente, Braskem, do grupo Odebrescht, um dos maiores do país . Também criou a Ematur - Empresa Alagoana de Turismo.  

 

Ainda na década de 1970, o então deputado Divaldo Suruagy é nomeado governador pelo presidente Ernesto Geisel, fazendo um governo voltado para a infra-estrutura, construindo estradas pavimentadas, eletrificação rural, abastecimento de água e inaugurando o Terminal Açucareiro do Porto de Jaraguá, de propriedade da Cooperativa dos Usineiros, um avanço naquela época e que contribuiu muito para o aumento da produção, dando a Alagoas por muitos anos, a segunda colocação em açúcar, perdendo apenas para São Paulo.  Depois, seu amigo e também deputado, Guilherme Palmeira, assume o governo já na gestão de João Figueiredo. A dobradinha, continua e Suruagy retorna ao governo, eleito pelo povo na primeira eleição direta após o Golpe de 64. Em 1986, seu amigo Guilherme Palmeira perde a eleição para Fernando Collor de Mello, que notabilizou-se como o "caçador de marajás", servidores públicos estaduais que ganham salários altos e pouco trabalhavam. Governou apenas dois anos, passando o cargo para seu vice, Moacir Andrade para se candidatar a Presidente da República, eleito em segundo turno, derrotando o líder do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva. Mas nesse período de eleições indiretas, assumiram o governo do Estado, os vices: Geraldo Melo, José Tavares e Theobaldo Barbosa.

Na eleição seguinte, já na década de 1990, elege-se governador o então deputado federal, Geraldo Bulhões, apoiado por Collor de Mello, que trai seu amigo Renan Calheiros. Desastre total essa gestão, falindo praticamente o Estado, que foi entregue ao seu sucessor Divaldo Suruagy (novamente), enfrentando uma máquina praticamente parada e não conseguindo faze-la funcionar em dois anos de gestão, chegando a renunciar diante da revolta total dos servidores públicos que passaram 10 meses sem receber salário. Renuncia e  entra o vice, Manoel Gomes de Barros, que nomeia novos secretários, inclusive dois de fora do Estado (Fazenda e Segurança Pública), acaba com a chamada "gangue fardada" integrantes da Policia Militar envolvidos em crimes de mando e regulariza os salários atrasados. Mas perde a eleição para Ronaldo Lessa, que inicia assim a "Era Socialista".    

O engenheiro Ronaldo Lessa deixou a Prefeitura de Maceió ao se eleger governador do Estado. Otimista e tendo o apoio da sua amiga leal Kátia Born, também do Partido Socialista Brasileiro - PSB, na Prefeitura, voltou seu trabalho para a melhoria dos setores básicos: educação, saúde e segurança pública, mas não esqueceu a parte cultural também, revitalizando o bairro de Jaraguá, que passou a se constituir num novo ponto turístico; construiu o novo Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, o Centro de Convenções, o Memorial Teotônio Vilela e o Memorial à República.  

Mas para fazer tudo isso precisava de dinheiro. E tomou vários empréstimos a bancos estrangeiros e nacionais. Enfrentava greves de servidores, mas terminava atendendo as reinvidicações por aumentos salariais, inviabilizando o Tesouro estadual. Não tinha mais o Produban, o Banco do Estado de Alagoas que faliu exatamente, porque os governantes retiravam dinheiro dele para pagar suas dívidas e dar aumento aos funcionários. Governou oito anos e não conseguiu eleger seu sucessor, deixando uma dívida astronômica para o eleito, Teotônio Vilela Filho, do PSDB.  

Impeachament, uma praga alagoana!

A palavra significa impedimento, ou seja votar a saída do chefe do Executivo, através do Legislativo. E Alagoas foi o primeiro e único Estado onde aconteceu isso, depois de uma tragédia, que culminou com um deputado assassinado e vários outros feridos. Não tinha escapatória: virou notícia nacional e teve até o jornalista Márcio Moreira, que ganhou o primeiro Prêmio Esso de Jornalismo com a matéria sobre o episódio. Ele próprio ferido a bala no pé. Isso há mais de meio século.  

A votação do impeachament dos governadores Muniz Falcão, em 1957 e de Divaldo Suruagy, em 1997, tiveram conotações diferentes. O primeiro era apoiado pela população, principalmente os funcionários públicos e detestado pelo usineiros, porque tinha instituido um imposto exclusivo para que eles pagasse. O segundo, odiado pelos funcionários e amado pelos poderosos. Muniz teve o impeachament aprovado e Suruagy, renunciou antes, a exemplo do presidente da República Fernando Collor, quando também teve seu afastamento aprovado pela Câmara, mas antes do Senado votar, enviou uma carta de renúncia.  

No início da tarde de 13 de setembro de 1957, a pacata Maceió com o sol escaldante, mudou de cenário. Centenas de pessoas se aglomeravam na Praça Dom Pedro II, onde fica a Asssembléia Legislativa, para acompanhar pelo serviço de alto-falante a votação do impeachement do governador Muniz Falcão, amado por pobres e classe média. Todos presenciavam a chegada dos 32 deputados em seus carros pretos, vestido de capa num calor infernal e, claro sem ar condicionado no plenário. Depois souberam que a vestimenta era exatamente para esconder suas armas, metralhadoras, principalmente.  

Os policiais militares prestavam segurança a população na praça. As janelas foram abertas e todos viram sacos de areia, para servir de trincheira no caso de troca de tiros entre deputados e o povo. No plenário, a maioria contra o governador e assessores, jornalistas e funcionários, começa o tiroteio entre eles. O povo corre em debandada para as ruas do Comércio, Imperador e do Sol. A praça fica apenas com os policiais, que não podiam entrar na "casa dos horrores". Não houve sessão. O líder do governo, deputado Humberto Mendes cai morto, enquanto outros ficam feridos. Nunca descobriram de qual arma partiu os tiros que tiraram a vida desse parlamentar, que era sogro de Muniz Falcão.  

A cidade parou. O comércio fechou suas portas e as Rádios Difusora (emissora oficial do Estado) e Gazeta noticiavam a tragédia, enquanto no dia seguintes os jornais: Gazeta de Alagoas, Diário de Alagoas e Jornal de Alagoas, mostravam tudo. Do Hospital de Pronto Socorro, onde foi levado para ser medicado de um tiro que pegou em seu pé, o jornalista Márcio Moreira Alves escreve sua matéria para o jornal carioca em que trabalhava e isso correu o Brasil e o Mundo. No ano seguinte, foi instituido o Prêmio Esso de Jornalismo, o maior da Imprensa nacional. Sua reportagem foi a vencedora. Dois dias depois, os deputados se reuniram e aprovaram o impeachement do governador, que foi afastado, mas entrou na Justiça comprovando sua inocência e voltou ao cargo, nos braços do povo. Foi um dos governadores mais populares de Alagoas. Não era alagoano. Aqui chegou de Arapipina (PE) para digirir a delegacia do Ministério do Trabalho. Conquistou a sociedade e tornou-se deputado, sempre pela oposição. Trouxe toda a familia para Maceió, casou com Alba Mendes, filha de Humberto Mendes, prefeito de Palmeira dos Índios e depois desse governo tumultuado, morreu de câncer em 1963, sendo sepultado no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade, num dos enterros mais concorridos da História de Alagoas.  

Depois de 35 anos, exatamente no mês de setembro, a Câmara dos Deputados, em Brasília reúne-se para votar o impeachement do presidente Fernando Collor de Mello, também ex-governador de Alagoas e ex-prefeito de Maceió. Aprovado por unanimidade. Ele deixa o cargo para o vice, Itamar Franco e espera a votação do Senado em dezembro, que antes de ser realizada, envia uma carta-renúncia, deixando a vida pública por oito anos, através da cassação de seu mandato pelos senadores. Entra na Justiça e é inocentado de todas as denúncias que envolviam desvio de dinheiro público. Passado o seu período de cassação, candidata-se a senador e é eleito. Mas antes, perde duas vezes para governador. 

A praga do impeachament resiste em Alagoas, com o pedido feito por todas as entidades de classe do Estado para a Assembléia Legislativa aprovar a saída do governador Divaldo Suruagy, uma das maiores lideranças políticas do Estado, três vezes governador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador.  Um ano antes, os deputados tinham aprovado a liberação das letras do Tesouro Estadual, num valor de R$ 300 milhões para que o governador resolvesse a questão financeira. Precisava da aprovação do Senado Federal, que claro, aprovou e, o dinheiro foi liberado. Só que serviu para pagar aos empreeiteiros e segundo denúncias dividido ainda entre os deputados e senadores que aprovaram tudo. A revolta entre nos servidores públicos aumentou mais ainda.  

Completamente desgastado, com a máquina administrativa parada, servidores públicos sem receber salários há 10 meses, é marcado o dia da votação: 17 de julho de 1997. O cenário mudou do 13 de setembro de 1957. A Praça Dom Pedro II estava lotada de funcionários revoltados, inclusive policiais civis e militares, armados. O presidente da Assembléia, aliado do governador, chama o Exército para fazer a segurança da Casa. Mais revolta! Nos telhados dos prédios, policiais armados se preparavam para a guerra. No plenário, os deputados temorosos de uma invasão, já que o número de manifestantes armados era superior aos "recrutas" do Exército. Surgiu um tiro no ar, partido não se sabe de quem. Mas o povo não arredava os pés da praça.

A tensão aumentava no plenário. Os deputados não queriam aprovar o afastamento do governador, porque eram comprometidos com eles. Todos estavam no plenário apostos para iniciar a sessão, mas a tensão aumentava a cada momento. Na praça, os gritos e a revolta do povo. O presidente se comunicando direto por telefone com o governador, que terminou aceitando pedir uma licença e o vice, Manoel Gomes de Barros assumir até dezembro. Assim foi feito, anunciado o pedido pela deputada Heloisa Helena, da oposição e respeitada pelos manifestantes. A praça ficou vazia, e logo o novo mandatário resolveu pagar os salários atrasados, mudar secretários e até mesmo prender o chefão da chamada "gangue fardada", coronel Manoel Cavalcante. 

Mas no ano seguinte, com eleições gerais para governador, deputados, todos os integrantes da Era Suruagy perderam as eleições. O então governador Manoel Gomes de Barros (Mano) perdeu para o ex-prefeito de Maceió, Ronaldo Lessa e o mentor de toda a crise, ex-governador Divaldo Suruagy, também não consegue se eleger deputado federal.  

O "ouro branco" chega a Alagoas 

Até a primeira metade do século XIX, Alagoas já como Província, a economia estava centralizada no Litoral e zona da Mata, com os engenhos de açúcar dominando tudo. A pecuária começava a se expandir, ocupando mais espaços no Baixo São Francisco e Agreste. Mas o Sertão começou a ser povoado e surgiu o algodão, o chamado "ouro branco" que se adaptou a terra árida da caatinga, mas que chovia na época certa. E foram surgindo povoações em toda aquela região, atraída pela nova atividade agrícola.  

Em 1857, o Barão de Jaraguá, homem de visão, empreendedor, que vivia em seu palacete de Maceió, mas tinha várias propriedades agrícolas, observando o avanço da atividade algodoeira, decidiu investir na primeira fábrica de tecidos, escolhendo o povoado de Fernão Velho, a poucos quilômetros da capital, para dar início a uma atividade que perpetuou-se, expandiu-se em vários pontos do Estado e tendo o algodão como matéria prima abundante, que foi se aproximando do Agreste e zona da Mata.

Os fazendeiros do Sertão e Agreste produziam cada vez mais e instalavam descaroçadores de algodão, uma mini-fábrica da matéria prima principal, que seguia ensacado para Fernão Velho e as novas fábricas que foram surgindo em Maceió, Rio Largo, Pilar, São Miguel dos Campos e Penedo.  Surgia assim a indústria urbana, as vilas operárias e a geração de milhares de empregos. Não eram escravos negros que trabalhavam nessas fábricas e sim, trabalhadores que recebiam casas com toda infra-estrutura para sobreviver com suas famílias e salários dignos.  

Em Rio Largo, um povoado que surgiu a partir de um engenho de açúcar, às margens do rio Mundaú, o comendador Tavares Bastos construiu suas duas fábricas de tecidos, sustentando praticamente toda a população, seja direta ou indiretamente, porque o comércio se expandiu. Construiu casas, escolas, hospital, áreas de lazer e toda a infra-estrutura de uma verdadeira cidade industrial. Sua filha Judith, casa com o jovem parabiano Gustavo Paiva, que tornou-se o grande empreendedor de Rio Largo. A cidade nas décadas de 1930/40/50, virou o símbolo da modernidade. Tinha cinema, teatro, clubes sociais, escolas de alto padrão e hospital.  

Em Pilar, o empresário Hilton Pimentel, construiu sua moderna fábrica de tecidos que durou vários anos, transformando-se em cidade industrial, o mesmo ocorrendo com os Nogueira, em São Miguel dos Campos e no distrito de Saúde, em Maceió, onde também funcionou por vários anos a Fábrica Alexandria, da família Lobo, no bairro do Bom Parto. No alto Sertão, o cearense Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, instalou a sua fábrica de linhas e depois de tecidos, dando origem a cidade que depois de sua morte recebeu seu nome, hoje uma das mais importantes do interior alagoano e a Fábrica da Pedra que ele fundou no início do século XX, hoje em poder do Grupo Carlos Lyra, a única do Estado, e que mantem uma boa produção de tecidos, inclusive para exportação.   

Durante vários anos, Alagoas manteve mais de 10 fábricas de tecidos e dezenas de fábricas de beneficiamento de algodão em Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios, Penedo, Paulo Jacinto, Viçosa, São José da Laje e outras cidades, garantindo a matéria prima para as fábricas têxteis. Por mais de um século, o setor foi o segundo mais importante da economia algaoana, perdendo apenas para o açucareiro. Isso foi acabando a partir da década de 1970, com a falência das fábricas e claro, a substituição da atividade algodoeira pela pecuária. 

O fumo enriqueceu Arapiraca 

Até as primeiras décadas do século XX, o que hoje é Arapiraca, a segunda mais importante cidade de Alagoas, era uma imensidão de terras de vegetação rasteira, mas um solo rico, terra avermelhada, que logo atraiu a atenção de agricultores para o plantio de lavouras. O primeiro que chegou, em viagem ao Sertão e descansando a sombra de uma árvore conhecida como "arapiraca" foi Manoel André. E decidiu lá ficar, construindo sua casa e começando a plantar o que achava que dava para colher, consumir e vender: feijão, milho, mandioca, fumo e frutas diversas. Deu certo e surgiu o povoado com a chegada de outros forasteiros.  

Em 30 de outubro de 1924, como vila pertencente ao município de Palmeira dos Índios, foi emancipada e começa então seu surto de crescimento, tanto na agricultura como no comércio. O fumo foi a experiência mais fantástica do novo município. Surgiram vários agricultores que começaram a plantar e chegam as indústrias de beneficiamento. Na década de 1950, a cidade já estava em pleno desenvolvimento, com uma feira-livre semanal das mais movimentadas do interior de Alagoas e o mais importante: o trem de passageiros e de cargas. Chegaram novos "estrangeiros" como baianos e gaúchos, tradicionais plantadores de fumo. O produto começa então a ser exportado para outros países. Nas décadas seguintes, a cidade cresceu, ultrapassando Penedo e Palmeira dos Índios, ganhando uma moderna rodovia asfaltada ligando-se a capital e aos Estados vizinhos. Boa parte da produção fumageira, seguia via rodoviária para o porto de Salvador, já que o de Maceió não comportava muitos navios.  

E a produção foi se expandindo pelos municípios da região, gerando um dos maiores exemplos de minifúndios (pequenas propriedades) produtivos de Alagoas. As fábricas de beneficiamento de fumo se modernizavam e começava a fabricar o próprio "cigarro de corda" tão consumido pela população, enquanto a maior parte da produção seguia para as fábricas da Bahia, o segundo maior produtor de fumo do país. Muita gente enriqueceu com essa atividade lucrativa, que aos poucos foi sendo substituida por outras, transformando Arapiraca na mais progressista cidade do interior alagoano e uma das que mais cresce no Nordeste.  

A agricultura familiar e orgânica vem se expandindo e contanto com o apoio dos governos estadual e municipal, além do Sebrae. As familias de ex-fumicultores plantam hortifrutigranjeiros sem agrotóxicos e vendem na cidade e em Maceió, onde a cada sexta-feira é realizada a Feira Ecológica, no Mercado de Jaraguá, com clientela fiel e que consome o que existe mais de mais saudável na alimentação diária.  

A presidente Dilma Rousseff escolheu exatamente Arapiraca para lançar seu programa de combate a pobreza. A farinha de mandioca passou a ser comprada pelas grandes redes de supermercados e toda a região do Agreste passou a ser "a bola da vez" do pleno desenvolvimento em Alagoas.  

Hoje, é uma cidade moderna, com aspecto de capital. Detém um comércio movimentado; várias indústrias de beneficiamento de fumo, milho, madeira e outros produtos; agências bancárias; um moderno shopping center, escolas públicas e privadas de nível fundamental, médio e superior; hospitais, boa rede de transporte. São mais de 200 mil habitantes que vivem com toda a infra-estrutura de uma cidade grande. Mais: será ainda o centro de uma nova atividade lucrativa: minério, através da exploração dessa riqueza submersa no Agreste alagoano, com a Vale Verde, uma das maiores mineradoras do País.  

Uma riqueza submersa 

Não é só a terra fértil, onde tudo que se planta dar, que forma a riqueza de Alagoas. O sub-solo é rico em petróleo, gás, sal-gema e mais recentemente minérios. Tudo começou na década de 1930, quando foi descoberto petróleo em Riacho Doce, Litoral Norte de Maceió. Mas a exploração só se deu mesmo a partir da criação da Petrobras por Getúlio Vargas, na década de 1950. A partir daí o "ouro negro" jorrou nos tabuleiros de Maceió e São Miguel dos Campos, quando na década seguinte a estatal instalou um escritório na capital, que durou até 1969, sendo transferido para Sergipe, onde a produção era bem maior.  

Mas o petróleo continuava no sub-solo alagoano, até que foi construído um oleoduto ligando Maceió a Sergipe e daí para a Refinaria de Mataripe (BA) onde era transformado em gasolina e óleo diesel. Alagoas era apenas um Estado produtor e fornecedor desse produto e as Prefeituras dos municipios produtores recebiam royaltties (dinheiro para aumentar a arrecadação, juntando-se aos demais impostos e verbas federais). Continuou avançando, até que se construiu a Planta de Gás Natural, aproveitando esse produto para o consumo do próprio Estado (gás de gozinha, industrial e combustível) e ainda enviar para os Estados vizinhos, Hoje, é um dos maiores produtores de gás natural do País.  

Com o avanço da indústria, surge a Federação das Indústrias de Alagoas, criada pelo industrial Napoleão Barbosa. Novas fábricas vão surgindo e o Senai e Sesi contribuindo com o desenvolvimento do setor, seja promovendo cursos profissionalizantes ou dando assistência total aos trabalhadores do setor. Além dessa entidade,foram fundadas: a Cooperativa e o Sindicato da Indústria do Açúcar e Álcool, setor mais importante da economia alagoana. 

Logo depois da saída da Petrobrás (escritório regional), descobriu-se uma nova riqueza no sub-solo alagoano, mais especificamente a 300 metros de profundidade da lagoa Mundaú, em Maceió. O puro sal-moura (sal-gema), matéria prima principal para sóda cáustica, cloro e diocloretano. Criou-se a Salgema Indústrias Químicas S/A, com participação do governo do Estado e iniciativa privada. A indústria foi instalada a beira-mar do Pontal da Barra, onde também construiu o seu terminal marítimo. Logo depois, instalou-se o Pólo Cloroquímico, em Marechal Deodoro, com a fabricação inicial de PVC, aproveitando o diocloretano, enquanto os demais produtos eram totalmente e continuam sendo exportados, garantindo a hoje totalmente privada: Braskem, o primeiro lugar na América Latina no setor cloroquímico. A empresa cresce a cada dia e adquirindo outros do setor cloro-petro-químico.Uma nova unidade industrial da empresa foi cnstruída, gerando mais riquezas para Alagoas. 

O comércio avança! 

Desde os tempos da Colônia e Império, o comércio representa muito para a economia de Alagoas. Primeiro as "bodegas" nas vilas e os "barracões" nos engenhos. E no Brasil independente, com Alagoas como Província, essa atividade econômica avançou mais ainda, tendo como centros comerciais principais: Maceió e Penedo. Novas vilas foram surgindo e o comércio crescendo, já absorvendo produtos tipicamente brasileiros fabricados em grandes Centros produtores que chegavam de navio. 

Ainda no século XIX, criou-se a Associação Comercial de Maceió e a de Penedo. Os comerciantes se organizavam disputando espaço com os senhores de engenho e depois os industrias do setor têxtil. A chegada do transporte ferroviário ligando primeiro Maceió a União dos Palmares e depois a Viçosa, fez com que o comércio avançasse mais ainda, transportando as mercadorias da zona da Mata para a capital e vice-versa.    

Na década de 1920, o comércio principal era centralizado mesmo na capital. E assim surgiu a Aliança Comercial dos Retalhistas (os lojistas de hoje), num prédio construído na segunda metade do século XIX pelo Barão de Atalaia, na Praça Dom Pedro II (onde funciona até hoje). Na mesma década a Associação Comercial construiu o seu prédio imponente greco-romano no bairro de Jaraguá, ainda preservado e um dos mais belos exemplares da arquitetura.  

No pós-guerra (década de 1940), o governo cria o Sesc/Senac e Maceió é beneficiada com essas duas entidades de assistência ao comerciário, que já tinha a CLT - Consolidação das leis do Trabalho, criada por Getúlio Vargas. Um avanço e, começa a se instalar no interior: Penedo e Viçosa, foram as cidades beneficiadas. O Sistema "S" avançou em Alagoas com a criação do Sesi/Senai, Senar e depois o Sebrae. Milhares de alagoanos foram sendo formados pelo Senac e Senai em seus cursos profissionalizantes.

Na década de 1960, um grupo de empresários do comércio, criou o Clube de Diretores Lojistas de Maceió, que se exandiu ao longo dos anos, se constituindo na principal entidade  representativa da classe comercial, instituindo o SPC - Serviço de Proteção ao Crédito, para garantir credibilidade nas vendas pelos crediário. Criou-se a Federação dos Clubes de Diretores Lojistas com CDLs espalhados por várias cidades do interior do Estado. A entidade passou a ser Cámara de Dirigentes Lojistas, permanecendo, portanto com a mesma sigla.    

Hoje o comércio de Maceió não depende mais do de Recife. Acabou aquela fase da famosa propaganda que atravessou décadas: "Se no Recife tem, na Casa do Colegial também tem". Pois é. A tal livraria, faliu, demonstrando que a capital alagoana tem um comércio forte, competitivo e não existe mais necessidade do consumidor daqui ir até lá, a quase 300 quilômetros de distãncia para comprar o que quer.

Desde o final da década de 1980 Maceió entrou na Era dos Shoppings, com a inauguração do Iguatemi, uma das maiores redes de shoppins centers do País. Agora mudou de nome. É Maceió Shopping, mas ganhou um concorrente: o Pátio Maceió, na parte alta da cidade no Tabuleiro do Martins, na entrada do mais populoso bairro da cidade: o Benedito Bentes, além do Parque Shopping, o maior de todos e destinado a uma clientela de maior poder aquisitivo, localizado no bairro de Cruz das Almas.  

 

Em se plantando, tudo dar!

São quase 28 mil quilômetros quadrados, entre o Litoral e o Sertão. Alagoas é o segundo menor Estado da Federação (o primeiro é Sergipe) em superficie. Da foz do rio São Francisco, em Piaçabuçu até a do rio Una, em Maragogi, é só  beleza., Um mar azul e verde, coqueiros, areia branca e a culinária que encanta a todos: turistas e nativos. Mas a cidade mais distante do rio São Francisco, em pleno Sertão, fica a apenas 80 quilômetros. É Ouro Branco, na divisa com o Sertão pernambucano. E agora, todas terão água para o consumo e a engorda do gado e o plantio de lavouras, através do Canal do Sertão que o governo do Estado vem construindo.  

 

Ao invés de investir na irrigação, aproveitando o rio São Francisco, Alagoas perdeu-se no tempo. Seus vizinhos Bahia, Pernambuco e Sergipe partiram para essa atividade produtiva e hoje se constiui num celeiro, produzindo frutas, hortaliças e a grande novidade, a produção de uva em pleno Sertão. A região já produz vinho de excelente qualidade para exportação e o consumo interno. E mais: Frutas como maçã, melão, melancia, abacaxi e laranja. Jamais se imaginaria a terra seca do Nordeste produzir uva. E conseguimos, através da irrigação o ano inteiro. Já existem vinicolas em váras cidades às margens do rio.  

Mas Alagoas deixou ser dominada pelo setor canavieiro. A própria zona da Mata, que tradicionalmente produzia cana, passou a servir para o plantio do capim, para engorda do gado. A cana expandiu-se para a região dos tabuleiros de São Miguel dos Campos, a partir da década de 1960, por ser uma região plana, propícia para o plantio da cana. E foram surgindo novas usinas. A agricultura familiar vem avançando, graças ao incentivo do governo estadual, o que garante o abastecimento interno, antes totalmente dependente de produtos vindos de outros Estados. Nos próprios assentamentos da reforma agrária, planta-se de tudo e, as "feiras camponesas" que eles promovem vem se constituindo num grande sucesso em Maceió, com hortifrutigranjeiros de excelente qualidade e o mais importante: sem agrotóxicos. O Sebrae, Secretaria de Agricultura e outros órgãos incentivam a produção de alimentos naturais e realiza na capital a "feira ecológica", outro sucesso de público. Esse novo cenário econômico que Alagoas vem atravessando, permite que o consumidor passe a ter em sua mesa, produtos tipicamente nossos, orgânicos e ainda garantindo a sobrevivência desses pequenos agricultores nas várias regiões do Estado.  

Os chamados atravessadores que sempre atuaram no mercado consumidor, estão desaparecendo aos poucos, exatamente porque a produção é local, onde o produto sai do campo para a ser vendido na cidade. Isso gera mais emprego e renda, preços mais baixos e produtos de boa qualidade, principalmente quando é orgânico, sem qualquer utilização de agrotóxicos no plantio, uma prática bastante acentuada no Centro Sul, que dar ao Brasil a classificação de campeão mundial em consumo de agrotóxicos. 

E os turistas descobriram Maceió! 

Foi exatamente na década de 1970, que Maceió começou a despontar para o turismo. O então prefeito João Sampaio,inaugurou a urbanização da praia da Pajuçara, que passou a se constituir no cartão postal da cidade. A Avenida da Paz, já urbanizada, detinha os dois mais luxuosos hotéis da cidade: Luxor e Beira Mar. Mas a partir da nova Pajuçara o setor hoteleiro foi se expandindo, além do imobiliário, com a construção de edificios de apartamentos. Surgem novos bairros na orla marítima: Ponta Verde e Jatiúca. E o prefeito Fernando Collor de Mello inovou mais, construindo as avenidas a beira-mar, com calçadão e ciclovias. Surge então o Hotel Alteza Jatiúca, do Grupo Lundregeen, o mesmo da Lojas Pernambucanas, atraido pelo futuro pólo turístico do Nordeste. E deu certo. O primeiro cinco estrelas de Maceió, três décadas depois um dos preferidos dos turistas, diante de sua beleza, conforto, luxo e a natureza. Fica na Lagoa da Anta e de frente ao mar. 

A construção da ponte sobre a lagoa Mundaú, no Pontal da Barra, em demanda ao Litoral Sul, foi outro importante ponto positivo para o avanço do turismo. Antes, para se chegar a praia do Francês, em Marechal Deodoro, teria que percorrer um longo caminho em estradas de asfalto e barro. Depois, ampliou-se para a Barra de São Miguel, que era uma cidade pequena, recém-.emancipada de São Miguel dos Campos e hoje é um dos principais pontos turísticos do Brasil. Hoje a rodovia é de pista dupla. 

Na década de 1980, a capital alagoana já estava consolidada como um dos pontos turísticos principais do Brasil através de uma boa rede hoteleira, culinária excelente, povo hspitaleiro e as suas belezas naturais. O artesanato começa a despontar como uma das atrações turísticas, construindo-se espaços específicos para essa atividade que gerou milhares de empregos e renda para os alagoanos. Pontos de venda na Pajuçara, no Mercado Público e no Pontal da Barra, atraiam cada vez mais turistas. E surgem novos bares, restaurantes, boates.  

A lagoa Mundaú que banha Maceió e se encontra com o mar, é outra atração turística com passeios de barcos por suas 11 ilhas e os bares e restaurantes às suas margens. Mais: o canal que faz sua ligação com a  lagoa Manguaba. Aí sim, só natureza, mangues e muito verde, passando pela ilha de Santa Rita (a maior ilha lacustre do Brasil), Barra Nova, Massagueira, Marechal Deodoro e chegando ao Pilar.  

A rodovia Al-101 Sul avançou mais ainda, saindo da Barra de São Miguel, passando por Jequiá. Coruripe., Feliz Deserto e chegando a Piaçabuçu (praia do Peba) no encontro do mar com o rio São Francisco. Novos hotéis, pousadas e restaurantes foram sendo construidos e passou a ser um novo corredor turístico, ligado ao Litoral Norte a partir de Paripueira, indo para Barra de Santo Antonio, São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras, Japaratinga e Maragogi, na fonteira com Pernambuco. São 280 quilômetros de Litoral, de fácil acesso.  

Mas os turistas e nativos terão outra oportunidade de conhecer uma paisagem diferente: o rio São Francisco. O governo do Estado vai construir uma rodovia margeando o rio de Piaçabuçu até Piranhas, daí seguindo para a Hisdréltrica de Xingó e a cachoeira de Paulo Afonso. Esse é o "Caminho do Imperador, percorrido por Dom Pedro II de navio em 1859. 

Maceió entrou na rota dos translatlânticos (navios de passageiros) e vôos internacionais. Na alta temporadora, milhares de turistas desembarcam no Porto de Jaraguá e no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Os hotés atingem 100% de ocupação. Um Centro de Convenções, construido no bairro histórico de Jaraguá, aproveitando os antigos armazéns de açúcar, gerou o turismo de negócios. E assim a cidade se transformou num dos principais destinos turísticos do Brasil.  

Alagoas também é cultura 

Alagoas não é só má notícia. Por aqui surgiram importantes movimentos culturais, além de ser a terra natal de renomados escritores, artistas e intelectuais diversos. Maceió, Penedo e Viçosa, sempre foram destaque no cenário da cultura alagoana. E continuam sendo. Existe a preocupação de seus filhos em preservar essa tradição. Museus, teatros, escolas de música e incentivo a leitura, com bibliotecas. 

Na literatura, os primeiros escritores são oriundos das ordens religionas. Frei João de Santa Ângela, natural da velha Alagoas (Marechal Deodoro), publicou em português e latim: Oração Fúnebre do Rei Dom João V, o primeiro livro escrito por um alagoano. E mais: João da Rocha Pita, foi o primeiro alagoano a conquistar o título de doutor. O apogeu cultural mesmo surgiu no século XIX, através de alagoanos ilustres como Ignácio Passos Júnior (poeta), Francisco Ignácio de Carvalho Moreira, o Barão de Penedo (Diplomata), Melo Moraes (cientista e historiador), Ladislau Neto (naturalista e escritor), Aureliano Cândido Tavares Bastos (escritor e político), João Lins Cansanção de Sinimbu, o Visconde de Sinimbu (intelectual e político). O primeiro romance de costumes, surgiu  com a publicação do livro A Filha do Barão, de Pedro Nolasco Maciel.  

 

Com a fundação da Academia Alagoana de Letras em 1919, começa mesmo a fase literária de Alagoas. Daí em diante foram surgindo verdadeiros poetas, romancistas, contistas, ensaistas, filólogos, historiadores. E a lista é imensa: Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Aurélio Buarque de Holanda, Arthur Ramos, José Maria Pimentel Goulart de Andrade, Guimarães Passos, Pontes de Miranda, Povina Cavalcanti, Waldemar Cavalcanti, Jayme de Altavila, Craveiro Costa, Ivan Fernandes Lima, Octávio Brandão, Mário Marroquim, Manoel Diegues Júnior, Félix Lima Júnior, Breno Accioly, Carlos Moliterno, Nise da Silveira e Ledo Ivo.  

O primeiro pintor verdadeiramente profissional foi Manoel Teixeira da Rocha, nascido em São Miguel dos Campos, que estudou pintura no Rio de Janeiro e Paris. Outro famoso, que brilhou no Brasil e Europa, foi Rosalvo Ribeiro, alagoano de Marechal Deodoro.Na música, Heckel Tavares, pianista famoso, é de Satuba; Hermeto Paschoal, instrumentista e cantor, de Lagoa da Canoa; Djavan, de Maceió. E mais: Paulo Gracindo, ator de teatro, cinema e televisão, que nasceu no Rio, mas a familia retornou à Maceió, onde ele viveu a infância e adolescência a beira-mar da Pajuçara. Jofre Soares outro famoso nas telas do cinema, é de Palmeira dos Indios. E Cacá Diegues, cineasta, alagoano de Maceió.  

O Teatro Deodoro foi inaugurado em 1910, exatamente há 100 anos, se constituindo no templo da arte e da cultura em geral. Antes Penedo já tinha o seu Teatro 7 de Setembro. Ambos, centenários e ainda intactos, preservados e contribuindo decisivamente com a cultura alagoana. Maceió dispõe além do Teatro Deodoro, do Gustavo Leite (Centro de Convenções), Arena (anexo ao Deodoro), Linda Mascarenhas (no Cepa), do Colégio Marista, da Ufal, Sesc e Sesi.  

Museus existem em Maceió: Theo Brandão (Folclore), Pierre Chalita (arte sacra), Floriano Peixoto (antigo Palácio), do comércio (Associação Comercial), da  Imagem e do Som, História Natural, Instituto Histórico, os Memoriais Teotônio Vilela, Jorge de Lima, Aurélio Buarque de Holanda, Pontes de Miranda e à República. No interior tem museus em Marechal Deodoro, Penedo, Palmeira dos Indios, Piranhas, Delmiro Gouveia, Viçosa, além de casas de cultura em várias cidades.  

 A música instrumental sempre foi bem difundida em Marechal Deodoro, Santa Luzia do Norte, Coqueiro Seco, São Miguel dos Campos, Pilar, Viçosa, Penedo, Matriz de Camaragibe e na capital. Ainda existem escolas de música nessas cidades, além de residências com piano.  

O Sesc (Serviço Social do Comércio) desde a década de 1950 vem mantendo escolas de música, assim como funciona em Maceió, o Centro de Belas Artes. Em Viçosa, tem a Escola de Música e Folclore, mantida pela Prefeitura Municipal, que preserva a Banda de Música Nuno Pimentel, o maestro, que fundou no início do século XX a primeira escola de música da cidade.  

Alagoas é do tempo do "cinema mudo" nas primeiras décadas do século 20, com cinemas em Maceió, Penedo, Viçosa, Palmeira dos Índios, Pilar, RIo Largo, São Miguel dos Campos e outras cidades. Hoje, existem  nos shoppings de Maceió e um mantido pelo Sesi, na Pajuçara, que também serve de teatro, o mesmo faz o Sesc, no Centro (cinema e teatro), Espaço Cultural da Ufal (Sala Preta).    

Infelizmente os adeptos da leitura, têm que se contentar mesmo com os "sebos" que funcionam em sua maioria na Rua Barão de Atalaia, no Centro. Livrarias mesmo só no Parque Shopping, Aeroporto Zumbi dos Palmares e no bairro do Farol. Bibliotecas temos em quase todos os municípios, através de incentivos do Ministério da Educação e do próprio governo do Estado. A Biblioteca Pública Graciliano Ramos, a maior do Estado, foi reaberta no final de 2014. Na zona rural de Viçosa, Povoado Bananal, funciona desde 2011 o Gabinete de Leitura e Pesquisa Jornalista Jair Pimentel, com uma biblioteca dotada de 3.500 livros dos mais variados temas, distribuídos em estantes antigas e envidraçadas, além de hemeroteca (coleção de jornais, revistas e uma Casa Museu, lambrando uma casa grande de engenho de açúcar.   

Nosso folclore    

Alagoas é o Estado brasileiro que possui a maior diversidade de folclore no País. Isso vem dos tempos das senzalas, das tribos dos Caetés e Potiguaras e do branco português. São quase cinco séculos de História dessas três raças que transformaram Alagoas num dos Estados brasileiros do mais genuino folclore. Do Sertão ao Litoral existem manifestações folclóricas autênticas descobertas pelos mestres Théo Brandão, José Aloisio Vilela, Pedro Teixeira de Vasconcelos, José Maria Tenório e Ranilson França. Veja a lista das nossas manifestações folclóricas ainda preservadas: 

- Coco alagoano: Dança típica, cantada, sendo acompanhada pela batida dos pés. Também é conhecida como Pagode (o verdadeiro). Apresenta-se sempre na época junina. Sua origem é africana, herdada de nossos escravos. 

- Boi de Carnaval: Réplica do boi, feita com armação de madeira e coberto de tecido colorido. Sai as ruas antes do carnaval, pedindo dinheiro para apresentação durante os dias de folia, com a participação em concurso. Sua origem é européia, misturada com motivos africanos. Recebem influência do Bumba-Meu-Boi do Maranhão, além do Guerreiro e Reisado. 

- Caboclinhas: Dança-cortejo, sem enredo ou drama, semelhante as Baianas e Samba-de-Matuto. Os personagens trajam-se como os do Reisado e cantam fazendo referência a caboclas, temas do cotidiano e de amor acompanhada por banda de pífanos.

- Pastoril: É o mais conhecido folguedo de Alagoas. É uma fragmentação do presépio, sem os textos declamados e sim diálogos, constituidos apenas por jornadas soltas, canções religiosas ou profanas de época e estilos variados. Como nos presépios, tem origem portuguesa, guardando a estrutura dos Reis da França.  

- Chegança: Auto de temática marítima, versando temas vinculados a vida no mar. As dificuldades como tempestades, briga entre marujos e lutas entre cristãos e mouros, são seus temas principais. É de origem européia. 

- Fandango: Auto de assunto marítimo que corresponde a Marujada, Barca e Nau Catarineta. Não possui enredo ordenado e lógico.É apresentado em um barco onde são entoadas cantigas de diversas épocas e origens. Possui formação portuguesa.  

- Reisado: auto popular profano e religioso, formado por grupos de músicos, cantadores e dançarinos. De origem portuguesa, sua principal característica é a farsa do boi que constitui um dos entremeios, onde ele dança, briga, é morto e ressuscita. Apresenta-se também nas festas de fim de ano.  

- Guerreiro: Grupo multicolorido de dançadores e cantadores, semelhantes aos do Reisado, mas com maior número de figurantes, mais riqueza nos trajes e mais música. Surgiu em Alagoas, entre os anos de 1927 e 1929, sendo resultado da fusão de Reisado e Pastorial. Possui em média, 46 figurantes, entre rei, rainha, mestre, contra-mestre, palhaço, etc.  

A cidade de Viçosa é conhecida como "Terra do Folclore". Foi de lá que surgiram os três principais personagens dessa manifestação cultural: Théo Brandão, José Aloisio Brandão Vilela e Pedro Teixeira de Vasconcelos. No "Corredor Cultural Théo Brandão", no centro histórico da cidade, funciona num  sobrado construido na segunda metade do século XIX, a Escola de Música e Folclore José Aprígio Vilela, além do Museu do Folclore SInfrônio dos Passos Vilela. E, em Maceió, o grande centro do folclore alagoano: O Museu Théo Brandão, na Avenida da Paz. Existem ainda outras manifestações folclóricas como Taieira, Dança de São Gonçalo (Água Branca), Nega da Costa (Quebrangulo).  

Aos poucos, essa tradição vai se preservando. O governo do Estado incentivando através da Secretaria de Cultura. Instituiu o Prêmio Patrimônio Vivo do Folclore, garantindo um salário mínimo aos verdadeiros mestres do folclore. Nos municípios, funcionam secretarias de Cultura.     

Terra sem Lei 

A impunidade institucionalizou-se em Alagoas. Por isso é sempre uma má notícia nacional. Os crimes bárbaros praticados ao longo dos últimos anos, ficaram impunes. Os jornais e outros veículos de comunicação denunciam, mas logo depois, surgem outros e aquele é esquecido. Sempre foi assim. E continua sendo. Entra e sai governo e o "filme é o mesmo", Infelizmente. Veja abaixo os crimes de maior repercussão nos últimos 60 anos: 

- Luiz Campos Teixeira; Derrotado por Arnon de Mello nas eleições para governador em 1950, foi assassinado na Praça Dom Pedro II em frente à Assembléia Legislativa. Não houve envolvimento do governador no caso.  

- Marques da Silva: Deputado estadual, médico e representante de Arapiraca no Legislativo estadual, foi assassinado, cujo crime desencadeou uma crise sem precendentes entre o Executivo e Legislativo, culminando com o impeachament do governador Muniz Falcão.  

- Humberto Mendes: Sogro do governador Muniz Falcão, foi assassinado em pleno plenário da Assembléia Legislativa, onde era líder do governo na Casa, com rajadas de metralhadora e pistola 45, em 13 de setembro de 1958. Nunca soube-se o autor dos disparos que mataram esse deputado.  

- Beato Franciscano: Assassinado aos 35 anos de idade, no auge de sua missão de evangelizador, na Vila São Francisco, entre os municípios de Quebrangulo e Paulo Jacinto, no Agreste alagoano. Era militante político e cabo eleitoral do deputado Humberto Mendes, de Palmeira dos Indios. Nunca descobriram os verdadeiros assassinos.  

- Moacir Peixoto: Mais um crime de grande repercussão, envolvendo um político, O deputado era adversário da familia Malta, de Mata Grande, onde foi prefeito. Houve um tiroteio no Centro da cidade, envolvendo membros dos Malta, onde terminou sendo assassinado, Eustáquio Malta, atribuindo-se o crime a Moacir Peixoto, que terminou sendo morto no início da década de 1960, em Maceió, pelo filho de Eustáquio: Urbano Malta.  

- Robson Mendes: Ex-prefeito de Palmeira dos Índios e de Cacimbinhas. foi assassinado aos 37 anos de idade, numa emboscada na região de Minador do Negrão, quando amargava o ostracismo de sua cassação como deputado estadual. Era filho de Humberto Mendes. 

- Walter Mendes: Também filho de Humberto Mendes, foi assassinado em Maceió, em frente ao Bar do Chopp, em 1972.  

- Coronel Adauto Barbosa: Secretário de Segurança Pública do Governo Lamenda Filho, foi assassinado dentro do Quartel Geral da Polícia Militar, no início da década de 1970 pelo soldado Everaldo Borges, ex-jogdor de futebol.  

- Floro Novaes: Temido na década de 1960 no Sertão alagoano, irmão do conhecido bandido "Chapéu de Couro", foi assassinado numa emboscada. Durante muitos anos ficou conhecido como o novo Lampião.  

- Auteclínio Farias: Membro de tradicional família da zona da Mata (Lopes Farias), esse jovem de vida política curta, foi assassinado no inicio da década de 1960, em Flexeiras.  

- Pedro Calheiros: Figurando como um dos organizadores da conhecida "Máfia do Melaço", foi assassinado dentro do restaurante Rainha do Mar, no bairro da Jatiúca. em Maceió, por um contingente policial.  

- Ernesto Calheiros: Assassinado dentro de sua camioneta no bairro do Trapiche da Barra, momentos após ter matado o pai do Cabo Henrique. A partir daí, desencadeou-se uma verdadeira guerra entre as duas familias.  

 

- Paulo Calheiros: Em 1981 foi a vez desse outro membro dos Calheiros ser assassinado, em frente do Bar do Chopp, em Maceió. Os matadores foram os irmãos Ailton e Antonio Omena (irmãos do cabo Henrique).  

- Jornalista Tobias Granja: Advogado do cabo Henrique e seus irmãos, foi assassinado na porta de seu escritório na Rua Augusta, centro de Maceió, em junho de 1982. O crime foi atribuido aos Calheiros. O pistoleiro conhecido como Fanta, foi o assassino e acusando Dagoberto Calheiros como mandante.  

- Irmãos Omena: Os irmãos Ailton e Evanildo Omena foram assassinados no início da década de 1980, numa verdadeira operação de guerra no Centro de Maceió. o irmão cabo Henrique, foi preso e levado para o Quartel da PM, de lá sumindo para sempre.  

- Adeildo Nepomuceno: Prefeito de Santana do Ipanema e deputado estadual, foi assassinado em sua fazenda. Várias pessoas foram presas, mas o crime nunca foi esclarecido.  

- Dr. Paulo Neto: Médico e fundador da Casa de Saúde Paulo Neto, foi assassinado no final da  década de 1950, por José Miranda, que alegou pter praticado o crime para vingar a morte de sua mãe, cliente do médico.  

- Delegado Ricardo Lessa: Era um dos mais temidos policiais da Secretaria de Segurança Pública. Foi metralhado com um dos seus seguranças, em outubro de 199l. A suspeita recaiu sobre o coronel Cavalcante, que comandava a chamada "gangue fardada". Era irmão do governador Ronaldo Lessa.  

- Sílvio Viana: Tido como o mais ferrenho cobrador de impostos, o fiscal de rendas da Secretaria da Fazenda de Alagos, foi assassinado no dia 28 de outubro de 1996, quando retornava de sua casa de praia. Foram presos vários integrantes da "gangue fardada", a maioria depois assassinado. E o mandante, nunca se soube. 

- Paulo César Farias: Outro crime de grande repercussão, inclusive internacional, já que ele era um dos protagonistas do chamado escândalo PC-Collor, que afastou Fernando Collor da Presidência da República. Foi assassinado em 23 de junho de 1996, em sua casa de praia no Litoral Norte de Maceió, juntamente com a namorada Suzana Marcolino, a quem se atribuiu o crime e depois o suicídio. Continua uma incógnita! 

- Deputada Ceci Cunha: Médica e deputada federal, representante da região de Arapiraca, foi assassinada no dia 16 de dezembro de 1998, na residência de sua irmã, no bairro da Gruta de Lourdes, momentos depois de ter sido empossada como deputada no Forum Estadual. Foi uma verdadeira chacina. Morreram metralhados, além dela: o marido, o cunhado e a sogra de sua irmã. O mandante, ex deputado Talvane Albuquerque e os assassinos, foram julgados e condenados a pena máxima, mais de 10 anos depois do crime. 

- Paulo Bandeira: professor do ensino público e privado, foi barbaramente assassinado dentro de seu carro e queimado. O crime teve grande repercussão.  

- Fernando Aldo: Vereador por Delmiro Gouveia, foi assassinado durante uma festa em Mata Grande. Mais um crime de mando, nunca elucidado.

- Fábio Accioly: outro crime bárbaro, queimado vivo por assassinos que receberam ordem de alguem poderoso, nunca esclarecido. Era estudante universitário de apenas 21 anos de idade. O crime foi no segundo semestre de 2009.  

 

A lista é imensa. Daria um catálogo telefônico. E todos foram crimes de mando, que nunca conseguiu-se acabar, diante do poder dos mandantes: políticos, empresários e outros ricos que continuam impunes. Existe até mesmo tabela de preços elaborada de acordo com a posição social da vítima.                                           

 


 

O autor

JOSÉ JAIR BARBOSA PIMENTEL, nasceu na cidade de Viçosa, zona da Mata alagoana, em 1951, primeiro filho do casal Joel Vital Pimentel  e Leonilda Barbosa de Souza. Ele funcionário público federal, poeta, violonista e jornalista. A cidade era o segundo maior centro cultural do interior, sendo superada apenas por Penedo. Tinha jornal e confrarias de poetas, músicos e folcloristas. Lá viveu a primeira infância. A familia transferiu-se para Maceió em 1958, onde estudou em escolas públicas e privadas até a Universidade, nunca mais parando de estudar e ler muito. O pai, (articulista e colunista), fe cm que não tivesse escapatória: virou jornalista. E logo cedo. Aos 14 anos de idade, já estava escrevendo no mesmo jornal onde seu pai era colunista (Jornal de Hoje),vespertino diário de Maceió. Mas só foi profissionalizar-se aos 30 anos, ao ingressar na Gazeta de Alagoas (o jornal de maior circulação do Estado) e ser registrado como jornalista profissional no Ministério do Trabalho. 

Sua especialidade no jornalismo sempre foi economia, diante da formação acadêmica criando  uma marca: Repórter Econômico, coluna diária no Jornal de Hoje, Gazeta de Alagoas, Jornal de Alagoas, O Jornal e os semanários Opinião, Momento Alagoano, Semeador, Repórter Semanal e O Extra, que também foi levado para a televisão, apresentando o programa nas TVs Alagoas e Pajuçara. Atualmente mantém colunas em O JORNAL e no O EXTRA. Depois da aposentadoria, em 2004, passou a ser colaborador ds jornais: Tribuna de Alagoas (diário), com artigos sobre cultura e nos semanários Extra, O Dia (coluna Repórter Econômico), o mesmo no site www.reporteralagoas.com.br É casado, pai de dois filhos e avô. Vive entre Maceió e Viçosa, onde mantém um espaço cultural com bibliotteca e museu, o que sempre sonhou quando chegasse a aposentadoria. O trabalho é voluntário e com o objetivo de conscientizar crianças e adolescentes da comunidade a gostar de ler e escrever.