"Uma cidade que não tem memória é uma cidade sem alma. E a alma das cidades é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota uma cidade para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua municipalidade”. Apresentação do Livro: Maceió 180 anos de história
Rua Augusta (Ricardo Mota - CD BEM-MAR) [ouvir musica]
Debaixo do oitizeiro O dia fica moreno A um peito no cativeiro O mundo inteiro é pequeno
Rua Augusta, rua acima Porta da cidade ainda menina Fizeste sol, fizeste lua A beleza que acentua O destino das fogueiras Caravana e matilha Me restou na partilha Toda a solidão do mar
O meu olhar pela janela Não viu mas os olhos dela (bis)
Rua do Comercio Rosalvo Acioli Júnior  Veste-se do tempo a Rua do Comércio no sangue dos anônimos transeuntes que ensombram sua dessimétrica passagem. Na noite alta e silenciosa, a antiga rua assobia os fantasmas perenes que gemem no seu rosto multiforme de vertigens. A Rua do Comercio é uma língua de serpente. Quedam-se violados de vida os assassinados.
Rua Guedes Gondim Rosalvo Acioli Júnior
Por tudo não vê-los, e com muita negação: vizinhos e à cotovelos à fofoca e à danação.
Pega o disse-me disse mesmo a quem não ouvisse.
Ferem até as línguas essas vidas mínguas.
Nova Rua Rosalvo Acioli Júnior
Nova de toda rua agora a Guedes Gondim trescala a flor do tempo.
Era outrora a Santa Maria onde nas esquinas da rua bêbados recobravam amores, embriagadas saudades.
Do outro lado da rua, margeando a linha férrea, as prostitutas em frenesi ante o mangue vendiam-se peitos podres caindo a vida.
Prostitutas loucas gozando o dinheiro: cheiro das feridas.
Rua Descalça José Ademir M. dos Anjos
Rua nua Descalça, Passo a passo Mais passos, rápidos e lentos Inverno e verão... Sol e ventos.
Rua Descalça Noturna, escura Quebra o silêncio Do ronco do rouco Da insônia... Do sonho da rua.
Rua nua Sem calçada Sem esgoto Sem nada... Com esperança e promessa Com vergonha de ser nua
Rua do Sol Autor : Manezinho Araújo Cantor: Zinho [ouvir música]
Rua do Sol, Rua do Sol, Rua do Sol, Maceió Ainda ontem eu vim de lá... (Repete 4 vezes)
As Alagoas já foi cidade de praia Lá na rua de Atalaia não podia se passar Só se passava pisando caco de "vrido" Com talão "arricibido" do guarda "municipá"
Rua do Sol, Rua do Sol, Rua do Sol Maceió Ainda ontem eu vim de lá... (Repete 2 vezes)
Naquele tempo se considerava insulto "Mulé" de vestido curto era face sem valia Vinha pra rua da motiva falação A fazer pape do cão, entre as moça de "famia"
Rua do Sol, Rua do Sol, Rua do Sol, Maceió Ainda ontem eu vim de lá... (Repete 2 vezes)
Mas hoje em dia Maceió é coisa louca Eu também vou nessa boca Lá tem tudo de melhor Pajuçara, Sururu água de coco Descuidou-se fica louco Não sai mais de Maceió Rua do Sol, Rua do Sol, Rua do Sol, Maceió Ainda ontem eu vim de lá... (Repete 2 vezes) Eu quero agora é cair nessa arapuca Meu amor é Jatiuca, Alagoas meu xodó Eu já mereço ter a vida que preciso Vou até no paraíso me mandar pra Maceió
Rua do Sol, Rua do Sol, Rua do Sol, Maceió Ainda ontem eu vim de lá... (Repete 2 vezes)
Ainda ontem eu vim de lá Ainda ontem eu vim de lá
A Praça é do Povo Sandoval Caju, do livro Sonhos e Pesadelos
A polícia foi à praça Espancar os estudantes, Reproduzindo a desgraça Daqueles dias distantes Dos tempos do Imperador !...
Lembram ? Castro Alves disse Nos seus versos inflamantes, Antes esse quadro de horror, Que hoje se estampa de novo: "A praça... a praça é do Povo Como o céu é do Condor !...
Poeta da Abolição, Ressuscita; vem de novo Dizer que a praça é do Povo Como e céu é do Condor ! Vem com tua vibração, Poeta da Liberdade, Liderar a mocidade; Prepará-la à reação Contra tamanha desgraça, Conforme fazias dantes; Ao tempo do Imperador !
Se a polícia vai a praça Espancar os estudantes, Vem poeta, vem de novo Dizer que a praça é do Povo Como o céu é do Condor ! ...
Rua do Comércio Felix Lima Junior - Livro Maceió de Outrora
Quem traçou, em meados do século XVIII, a futura Rua do Comércio ? Algum engenheiro, agrimensor, ou mesmo mestre de obras ou prático ? Evidentemente, o traçado da artéria desta capital se deve as rodas dos carros de bois do engenho que possivelmente se chamava Massayó, os quais iam buscar, em Bebedouro, na Cambona do Machado, na Água Negra, canas para a moenda e lenha para a fornalha. Basta atentar para a irregularidade daquela via pública, que nenhum intendente ou prefeito pode consertar até os nossos dias, e muito dificilmente alguém fará, para nos convencermos foram os pesados veículos, puxados por bois lerdos e pacientes, tangidos por pobres trabalhadores de calças arregaçadas, camisas de pano ordinário, ferrão em punho e facão ao lado que traçaram a futura rua, a primeira do povoado como tudo indica, embora não haja certeza. A rua, em 1837, ainda não era calçada, tanto que a Câmara Municipal solicitou, para o aluído fim, um auxilio ao governo provincial. Tal serviço só se faria 33 anos depois. Em 1850 reclamava o Diário das Alagoas por ainda passarem carros de bois pela rua. Somente na segunda década deste século (XX) é que a Intendência proibiu o transito de tais veículos pela artéria. Naquele ano foi o calçamento contratado com o sr. José Antônio Mendonça, futuro Barão de Jaraguá. Segundo o livro Maceió de Outrora do escritor Felix Lima Junior página 108 afirma que o nome oficial da Rua do Comercio, em 1897, era Rua Conselheiro Sinimbu, mantido ainda em 1902. Depois voltou a ser do Comercio. Em 1913 ou 1914 mudaram o nome para Rua Dr. Rocha Cavalcanti. é quase impossível precisar a data dessas mudanças, pois nem a Municipalidade, ao que consta, tem registro ao qual se possa recorrer. Depois da revolução de 1930, passou a ser novamente Rua do Comercio. A lei municipal 167, de 3 de abril de 1923, proibiu construção de casas térreas na Rua do Comercio.
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