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Farol

 

Área: 3.01 Km2

População: 16.859 hab. Fonte: IBGE Censo 2010   
Mapa do Bairro Download: click aqui Quantidade de logradouros: 199
Crédito das Fotos: gazetaweb.com / José Ademir  

Região Administrativa: 3


Pesquisa e Texto: Jair Barbosa Pimentel

 

 

Antiga morada da burguesia vira centro comercial

Com seu clima de planalto, a brisa leve ruas tranqüilas, o Farol foi sempre o bairro preferido da burguesia alagoana, que construíam suas mansões. Seu nome origina-se da implantação do farol no Planalto do Jacutinga, nome original. Os coronéis e barões que moravam em Bebedouro até o início do atual século, foram optando pela parte alta da cidade, por seu clima saudável e a proximidade como Centro da cidade.
A Avenida Fernandes Lima até as proximidades do Quartel do Exército, era toda tomada por mansões onde residiam usineiros, grandes industriais, comerciantes, magistrados e políticos.
Hoje, é tudo comércio. As casas antigas, ou foram derrubadas ou descaracterizada, dando lugar a lojas dos mais variados ramos, consultórios médicos, supermercado, agências bancarias e outros estabelecimentos comerciais. Restam algumas mansões em suas transversais.
A antiga rua do Seminário (atual Avenida Dom Antonio Brandão), era outra preferida pela burguesia maceioense. Por lá, residiram por muitos anos famílias Maia Nobre, Nogueira, Inojosa de Andrade e outras.

Algumas dessas casas foram derrubadas para dar lugar a edifícios e apartamentos. Outras, continuam intactas como a do medico intelectual, Ib Gatto Falcão. O Seminário Arquidiocesano continua lá, com suas linhas arquitetônicas do inicio do século.  

 

Edifícios transformam a arquitetura do bairro

Quem olha o bairro do Farol da parte baixa da cidade, contempla seus imponentes edifícios de apartamentos, onde concentra-se boa parte do PIB de alagoano. São usineiros, grandes industrias e comerciantes, políticos, magistrados, e outros profissionais liberais de alto poder aquisitivo. Edifícios como o Michelangelo, o Lagoa-Mar, o Porchat, Erick Fron, Pallais de Versailes, Morada do Farol e Leonardo Da Vince, possuem apartamentos de alto padrão de luxo e garantem aos seus moradores, a mais bonita vista da cidade e das orlas marítima e lagunar. O Michelangelo, que fica no Mirante de São Gonçado, possui parque aquático, quadra de tênis e uma belíssima vista. Lá residiu por alguns anos o ex-presidente Fernando Collor de Melo, que ainda mantém o apartamento,para quando retorna a Maceió. Outros magnatas ocupam os amplos e luxuosos apartamentos desse edifício que foi um dos primeiros construídos no bairro.

No Leonardo Da Vince, vive a mais de 20 anos, o governador Divaldo Suruagy. Mais o bairro tem ainda os edifícios de classe média como o Junco, Porto Ferrário, Alexandre II ,Eugênio I, Panorama, Morada do Vale, Dom Avelar, Farol do Itapuã, Helckel Tavares, Itaparica, Le Baron e outros. Pela proximidade com o Centro e por sediar os colégios mais tradicionais da cidade, muitas famílias preferem mesmo o Farol.

Um bairro com vida própria 

   Quem mora no Farol dispõe de colégios de primeira linha, vários cursos superiores do Cesmac, consultórios e clínicas, hospitais, escritórios de advogados, engenheiros, arquitetos, emissoras de rádio e TV, supermercado, sacolões (hortifrutigranjeiros), farmácias, butiques, agência dos Correios, bancos, bares, restaurantes, igrejas católicas e evangélicas, postos de combustíveis e outros estabelecimentos comerciais. O bairro tem vida própria. Seus moradores não precisam se deslocar para o Centro, apesar de sua proximidade. Toda a extensão da Moreira e Silva, Tomaz Espíndola e Fernandes Lima, são tomadas pelo comercio e serviços. A Praça do Centenário, deixou de ser uma área residencial, para se tornar num autentico comercio. Bancos como o Bradesco, Cidade, Rural, Sudameris, Real, Nordeste, CEF,Banco do Brasil, Itaú e Produban, mantém agencias no bairro,além de caixas eletrônicos. Se a família não tem condições de matricular seus filhos nos três grandes colégios (Marista, Sacramento e madalena Sofia), existem ainda o Guido Batista, Santa Terezinha, Cristo Rei, com mensalidades mais baixas. Tem ainda o maior complexo educacional do país: o antigo Cepa, com vários colégios de primeiro e segundo graus, mantidos pelo estado.

Colégios religiosos se mantêm no Farol

   Os três mais tradicionais colégios de Maceió (Marista, Sacramento, Madalena Sofia), estão sediados no Farol. Neles estudam os filhos dos ricos e da classe media alta. Por suas salas já passaram brilhantes alagoanos, que se notabilizaram em vários segmentos deste país. É também lá, que reside o arcebispo metropolitano, Dom Edvaldo Amaral e ainda tem o seminário, que ao longo dos anos vem formando sacerdotes para o clero alagoano, além da formação de frades franciscanos, no convento dos capuchinhos. Estudas num desses três colégios, é sinônimo de status. É também uma certeza de uma boa formação cultural e religiosa. No Marista além de uma boa formação escolar,seus alunos se destacam nos esportes. Em todas as competições, é sempre quem leva o maior numero de medalhas. Os três disputam os primeiros lugares no vestibular da Ufal e Ciências Médicas. Alguns alunos fazem a opção por outros estados, e são aprovados. Com a necessidade de preparar seus alunos para o esporte, investiram na construção de ginásios, piscinas e outros espaços para a prática de todo tipo de modalidade esportiva. As Olimpíadas Champagnat, são famosas na cidade, levando um grande público para o parque esportivo do Marista. Outra disputa desses três colégios, é para saber quem realiza a mais movimentada e organizada feira de ciências. Preparam-se o ano inteiro, para mostrar a sociedade alagoana que são criativos e organizados. Em cada um desses colégios existe uma capela para as cerimônias religiosas. O Sacramento abre as portas de sua capela para a missa dominical assistida por muitos católicos do Farol. Cada um possui seu próprio capelão(sacerdote encarregado de celebrar missas e outras cerimônias religiosas).

   

Saudosistas lembram dos bondes do Farol

Quem viveu no bairro do Farol nas décadas de 40 e 50, não esquece os bondes que subiam e desciam a ladeira em demanda ao centro da cidade. Era o único meio de transporte, que servia a vários bairros de Maceió, transportando trabalhadores, studantes, dons de casa e outros passageiros. Tornava-se até mesmo um lazer para a juventude alegre e descontraída que estudava nos colégios do centro, ou aqueles que saiam de outros bairros para estudar no Guido ou no Batista. Nos fins de semana os jovens desciam para o cinema ou pra a praia da Avenida, os principais pontos de lazer naquela época. Se havia festa no Centro (desfiles escolares, carnaval ou qualquer outro acontecimento), o bondee era que servia para a classe media e até mesmo os ricos,que ainda não dispunha de carro, coisa rara nos anos 40. Até mesmo para o carnaval nos clubes Fênix, Portuguesa, Tênis e Iate (anos 50), as famílias utilizavam o bonde, dançavam a noite inteira e aguardavam amanhecer o dia para usa-lo novamente no retorno ao Farol. Durante o dia , passear de bonde nos fins de semana, era uma excelente opção de lazer. Saiam do Farol ao Trapiche ou a Ponta da Terra. Podia ir até Bebedouro, outro ramal,mais distante, apreciando as belas mansões e a lagoa Mundaú. Só quem viveu a juventude naquela época é quem pode avaliar quanto era saudável o passeio de bonde, sem o tumulto de hoje da Avenida Fernandes Lima e os ônibus superlotados.

Publicado em O JORNAL, Maceió, domingo, 08 de dezembro de 1996.
Este texto é original como  publicado na época 

 


 

O Shopping Cidade, (foto) depois de funcionar cerca de 8 anos,fechou as portas em 1º de Fevereiro de 2007, diminuindo o número de opções de lazer para ao maceioense. Uma sessão de despedida do cinema aconteceu somente para convidados, com o filme “O Segredo de Beethoven”. Com o fechamento do Cine Cidade, restaram apenas cinco salas de cinema em Maceió.

Em novembro de 2008 no local aonde funcionou o Shopping Cidade, foi inaugurada a nova filial das Lojas Americanas.

 

O Produban, Banco do Estado de Alagoas, sofreu duas intervenções antes de ser fechado de vez, em 1997. Seus principais devedores eram os usineiros.